Renovar esperanças
Perante uma manifesta confissão de impotência proferida no final do jogo de Guimarães, do qual não encontrou explicação para a repetição dos erros defensivos da sua equipa, a saída de Paulo Fonseca do comando técnico do FC Porto acaba por ser a melhor solução para ambas as partes. O treinador é jovem e, apesar de ter dado agora um passo atrás, ainda vai a tempo de fazer uma carreira recheada de êxitos. Por seu lado, a época dos portistas está longe de se encontrar terminada e ainda existem importantes objetivos para alcançar nos próximos meses.
Sabendo da forma como Pinto da Costa defende, com unhas e dentes, os seus treinadores até ao limite, a corda, neste caso, só poderia partir pelo lado do treinador. E a ser verdade que o treinador Paulo Fonseca colocou o lugar à disposição por três vezes, estava-se a adiar o inevitável, já que a motivação do treinador e da própria equipa, assim como o entusiasmo dos adeptos azuis e brancos, foi-se esvaziando à medida que os maus resultados se iam acumulando.
Ninguém estará triste mais do que o próprio Paulo Fonseca por não ter tido sucesso no FC Porto. No maior desafio da carreira até ao momento, a etapa não lhe correu bem (não estava pronto para um clube grande), mas a mesma deve ser entendida como um momento de aprendizagem que lhe dará certamente maior estofo para um percurso longo e bem-sucedido no futuro. Pela postura e profissionalismo demonstrados, merecia mais sorte no Dragão, mas no futebol as coisas nem sempre correm como se espera.
Quanto ao FC Porto, presente ainda em quatro frentes, compete-lhe continuar a lutar por várias metas que ainda estão ao seu alcance. Com um atraso de nove pontos, a questão do título está complicada, mas os dragões ainda têm, pelo menos, uma palavra a dizer no que respeita ao acesso direto à Liga dos Campeões, assim como nos embates com o Benfica para discutir a presença nas finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga. E ainda há os oitavos-de-final da Liga Europa, prova onde o clube tem a legítima ambição de chegar o mais longe possível.
Luís Castro, até ver numa fase transitória, foi o treinador escolhido para enfrentar esta tarefa difícil. Trata-se de um técnico que conheço bem, que gosta de promover bom futebol nas suas equipas e que prepara ao pormenor todos os aspetos ligados ao treino e análise dos adversários. Para além de conquistar vitórias, a sua missão passará por tentar dar um novo ânimo à equipa, e consequentemente a todos os portistas, através de uma maior qualidade exibicional que possa transportar os dragões para uma fase mais produtiva em termos de resultados.
Fazendo parte dos quadros do clube há vários anos e vindo de uma excelente época que estava a protagonizar na equipa B dos dragões, Luís Castro tem um profundo conhecimento dos recursos que tem à sua disposição. Por isso mesmo, e sem comprometer os atuais objetivos desportivos, terá a possibilidade também de lançar as bases de um FC Porto que se prevê renovado na próxima época, começando a apostar em alguns atletas que possivelmente farão parte do projeto do próximo ano.
Seja ou não uma solução temporária, a aposta em Luís Castro acaba por ser uma escolha que se compreende e dá mais tempo à SAD portista para avaliar e encontrar, sem precipitações, o timoneiro ideal que guiará os destinos da equipa de futebol em 2014/15. Sem comprometer o presente, o futuro pode e deve começar a ser trabalhado agora.
O CRAQUE
Concorrência não o assusta
Num plantel que conta com Wilson Eduardo, Capel, Carrillo e Heldon, o jovem Carlos Mané tem sido uma opção cada vez mais recorrente de Leonardo Jardim no Sporting. E o avançado de 19 anos tem correspondido às chamadas do seu treinador com um futebol irreverente e habilidoso, sem receio dos adversários mais velhos, sendo capaz de produzir jogadas de perigo e aparecer em zona de finalização. Carlos Mané tem uma elevada margem de progressão e dá profundidade ao ataque do Sporting. É mais uma pérola da academia leonina em processo de crescimento.
A JOGADA
Segurança no forte
Em 12 jogos já realizados esta época pela equipa principal do Benfica, o guardião Jan Oblak sofreu apenas um golo. Números impressionantes e que atestam bem a qualidade do esloveno que é, sem margem para dúvidas, um dos principais protagonistas do bom momento que as águias atravessam. Ao contrário de anos anteriores, a consistência defensiva do Benfica tem sido o seu ponto mais forte. As melhores equipas constroem-se de trás para a frente e, neste capítulo, Oblak está a ser uma peça de destaque no puzzle defensivo de Jorge Jesus. Os números estão à vista.
A DÚVIDA
O futebol de hoje
José Mourinho tocou esta semana numa questão pertinente, que acaba por afetar igualmente clubes como FC Porto, Benfica e Sporting. Diz o treinador português que, hoje em dia, os futebolistas se preocupam mais em ser ricos do que em conseguir êxitos desportivos. “As pessoas que os rodeiam querem que sejam ricos antes de celebrarem o primeiro contrato ou jogarem nas grandes competições”, afirmou. Há jogadores que fazem 5/10 jogos e começam logo a falar no salto para Espanha ou Inglaterra. É urgente que os clubes comecem a orientar e guiar a carreira dos seus jovens. Haverá forma de mudar mentalidades?
