Opinião

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Repetir um feito histórico

Adicione como fonte preferencial no Google

No atual formato da Liga dos Campeões só por uma vez, em 2008/09, os oitavos-de-final da prova contaram com a presença de duas equipas portuguesas. O FC Porto de Jesualdo Ferreira e o Sporting de Paulo Bento fizeram história nessa temporada e a singularidade deste registo é demonstrativa das dificuldades que a competição coloca aos clubes nacionais, pelo elevado nível dos participantes e a máxima exigência que coloca qualquer adversário. O feito pode agora repetir-se com FC Porto e Benfica a terem o apuramento bem encaminhado e tal façanha merece ser enaltecida.

Está longe de ser fácil. Passar a fase de grupos obriga as equipas a estarem no seu melhor. Qualquer deslize, sobretudo nas partidas em casa, pode ser fatal. E a conquista de pontos nos jogos fora, tarefa sempre muito complicada, pode dar a vantagem necessária para o objetivo ser cumprido. Não existem jogos fáceis, por mais que o nome do adversário seja desconhecido. Na liga milionária, os níveis de motivação são tão altos que qualquer David se pode transcender e bater o seu Golias.

Por outro lado, para poderem cumprir os seus orçamentos, todos sabemos que a meta dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões é quase uma obrigação para águias e dragões. É um objetivo financeiro que este ano já deverá valer ganhos na casa dos 20 milhões de euros para cada clube, tendo em conta a prestação das equipas na fase de grupos e as receitas televisivas. E o apuramento para a fase seguinte vale mais 5,5 milhões.

Para lá do rendimento desportivo, estas são receitas importantes que se inserem na estratégia de risco de cada uma das equipas. Não é por acaso que se fala na possibilidade de o Benfica se reforçar no mercado de inverno, caso consiga passar a fase de grupos. E quem sabe se o FC Porto não terá também outros argumentos para contratar um médio criativo, tal como se falava no verão?

Porém, apesar de o futuro estar bem encaminhado, nada está conseguido. O FC Porto, na pior das hipóteses, já conquistou um lugar na Liga Europa, mas precisa ainda de um ponto para continuar na liga milionária. A próxima jornada europeia, com a receção ao Dínamo Kiev, pode ditar a passagem. Não será um jogo fácil, mas acredito que os portistas têm francas possibilidades de sentenciar nessa partida um dos principais desígnios da época. Deixar a decisão para o último jogo, em Inglaterra, tornaria as coisas muito mais difíceis.

O Benfica, também com a Liga Europa no bolso, está igualmente perto e pode decidir tudo na próxima ronda, no Cazaquistão, onde Galatasaray e Atlético Madrid não conseguiram vencer, o que serve de aviso para as dificuldades que a equipa encarnada irá encontrar. Mas porque existe a hipótese matemática de a equipa de Rui Vitória terminar a fase de grupos com 10 pontos e não passar, tal como aconteceu há 2 anos, uma vitória sobre o Astana dissiparia qualquer dúvida.

Temos dois clubes portugueses a dar cartas na Champions. Apresentam uma forte atitude competitiva e jogadores de grande potencial, ganham pontos a equipas de realidades e orçamentos bem superiores e não se deixam surpreender por equipas teoricamente mais fracas, mas que possuem jogadores de qualidade que podem fazer estragos. Falta pouco para mais um registo histórico. Porque necessitam de vender ativos todos os anos, para FC Porto e Benfica, é muito importante que se mantenham na principal montra do futebol europeu. E o ranking português na UEFA também ganha com isso.

O Craque – A mais-valia de Luisão

Nos últimos 13 anos, Luisão tornou-se uma das principais figuras do plantel do Benfica. Uma referência, um líder e um patrão da defesa, preponderante nas conquistas dos encarnados. A caminho dos 35 anos, o brasileiro continua a ser uma peça importante e a sua experiência faz-se sentir na equipa. Central exemplar, de grande entrega e com capacidade para dar uma ajuda na área contrária, tal como fez esta terça-feira. Foi sempre titular com todos os treinadores com que trabalhou. Isso diz tudo. Em boa forma física, o seu reinado ainda está para durar.

A Jogada – Bom trabalho em Vila do Conde

Com apenas uma derrota em 11 jogos oficiais, o Rio Ave surge neste momento num imprevisto terceiro lugar. Basta pensar que o valor de um jogador titular dos três grandes bastaria para pagar o orçamento anual da equipa vila-condense, para se concluir que os atuais 18 pontos na liga, tantos como o FC Porto e mais 3 que o Benfica, mesmo tendo mais um jogo, são um notável registo para a equipa de Pedro Martins que alinha sempre com 5/6 jogadores portugueses no onze inicial. Uma boa surpresa neste primeiro terço de campeonato.

A Dúvida – Bofetada de luva branca

A experiência de Marco Silva na Grécia está a ser extremamente positiva. Pleno de vitórias no campeonato, que lhe garantem já uma vantagem de 8 pontos para o segundo classificado com apenas 9 jornadas decorridas, e uma fantástica prestação na Liga dos Campeões, onde o Olympiacos só necessita de 1 ponto para chegar aos oitavos de final num grupo que inclui gigantes como Bayern e Arsenal. No ano passado, assistiu-se a uma campanha de descredibilização do treinador. Contudo, Marco Silva está a confirmar o seu enorme valor. Será que os críticos se calaram de vez? 

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade