Restelo de betão
Como é possível o Belenenses afastar um treinador que estava a fazer uma das melhores épocas das últimas décadas? O que levou um homem com o perfil de Rui Pedro Soares a apostar numa carreira de dirigente desportivo? Que futuro está traçado para o Belenenses? Estas e outras perguntas acorrem, naturais, quando um dirigente força o confronto com o técnico no ponto alto do campeonato. O Belenenses está a quatro pontos da Liga Europa, muito acima do que seria previsível no início da época. O choque entre o presidente da SAD e o competente treinador foi crescendo à medida que a equipa acumulava pontos. Só pode ter como razão uma fuga para a frente, para escapar ao pagamento de prémios de performance ou coisa que o valha.
Rui Pedro Soares, ferrenho portista, foi uma dura mão do longo braço de José Sócrates sobre a Comunicação Social. Sem qualquer currículo relevante, chegou a administrador da PT, onde geria os investimentos publicitários, premiando os dóceis e castigando os independentes, com cenoura e chicote de cento e muitos milhões de euros. Afastado da PT no meio dos escândalos "Face Oculta" e "Taguspark", reaparece num negócio de direitos televisivos sobre a Liga Espanhola, como sócio do extraordinário amigo de Sócrates, Santos Silva. E logo a seguir aterra na SAD do Belenenses.
Os métodos que vai demonstrando são coerentes com o seu breve passado e em nada o recomendam para arcar com o destino de um emblema histórico. Ainda está por se vislumbrar o que quer Rui Pedro Soares do clube do Restelo, mas muito me admiraria que esta história de mistério venha a ter um final feliz para os muitos que chamam seu ao mais belo estádio do futebol português.
Ali, a beijar o Tejo, mais do que sonhos de vitórias sobre a relva, medram planos de betão.
