Revelações do dérbi
O dérbi entre Benfica e Sporting foi pautado pelo equilíbrio e permitiu tirar algumas conclusões. Ambos os conjuntos atravessam uma fase positiva e qualquer um deles podia ter ganho no sábado. Os encarnados foram mais eficazes, mas esta partida não tira os leões das contas do título. O Sporting, pelo que demonstrou, mantém as suas aspirações intactas. Na Luz apareceu um herói improvável. As previsões durante a semana apontavam para as estrelas atacantes das duas equipas, mas a figura do jogo acabou por ser Javi García, ao aproveitar um lance de bola parada para fazer golo e pelo trabalho desenvolvido em campo, antes e depois de o Benfica ficar reduzido a 10 unidades, com uma grande entrega e voz de comando.
Javi García é um dos responsáveis pela forte segurança defensiva que o Benfica tem apresentado. E esta é claramente uma marca distintiva dos encarnados face a anos anteriores, uma melhoria à qual não é alheia a chegada de jogadores de grande qualidade para o sector, como Artur e Garay, que ajudam Jorge Jesus a montar uma equipa mais coesa e estável. Por seu turno, Pablo Aimar está num excelente momento de forma. Será mesmo uma das suas melhores fases desde que chegou a Portugal. O argentino espalha classe pelo relvado, procura a bola e entrega-a ainda melhor, através de uma técnica e visão de jogo acima da média. Que o diga o trinco improvisado pelo Sporting, Daniel Carriço, que teve grandes dificuldades em travá-lo.
Olhando para o atual Benfica, verificam-se diferenças em relação a outros anos. A equipa está a jogar de um modo mais pragmático e resultadista, prescindindo da nota artística quando é preciso. Existe uma maior resistência e capacidade de sofrimento no conjunto benfiquista, postura que pode ter sido um dos segredos para o sucesso (merecido) na fase de grupos da Liga dos Campeões.
Já o Sporting, a jogar em casa do adversário, não se atemorizou e conseguiu criar lances que lhe podiam ditar um destino diferente. Apesar da derrota, este terá sido o grande teste às reais capacidades da equipa leonina e o balanço é positivo. O conjunto de Domingos Paciência lutará para ser campeão.
A aposta em Carriço, para médio defensivo, não terá sido a mais conseguida. Acabou substituído pela solução mais natural (André Santos), mas torna-se óbvio que a equipa se ressente da ausência de Rinaudo. E se o argentino estivesse em condições para jogar, quem sabe se a história do dérbi tinha sido outra...
É que no centro do terreno Elias e Schaars mereciam outra cobertura. O voluntarismo do brasileiro é apreciável. Defende, ataca e aparece em todo o lado, mesmo quando é preciso chutar à baliza, sendo uma peça imprescindível. Já o holandês, apesar da falha que resultou no golo do Benfica, destaca-se pela forma como serve os colegas e pelo remate fácil. Na segunda parte, os leões tiveram de correr atrás do prejuízo e ensaiaram vários remates, apesar de nem todos levarem a melhor pontaria. Sabendo que o Benfica tem defesas fortes no jogo aéreo, a estratégia do Sporting, em bombear bolas para a área encarnada, não terá sido a mais adequada.
Por último, os lasers voltaram a aparecer na Luz. Os adeptos portugueses parecem ter importado para os nossos estádios uma moda que representa um ato de cobardia e falta de fair play lamentáveis. Que se importem também as medidas de prevenção tomadas por alguns países: multas para os clubes e identificação dos prevaricadores.
