Rivais que adormeceram

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Rivais que adormeceram
Rivais que adormeceram

A “novela” envolvendo Bruma está na ordem do dia. E deixando de lado outros aspetos – alguns bastante importantes, como a alegada tentativa de rapto do futebolista –, parece claro que todo esta embrulhada começou no preciso momento em que os responsáveis leoninos não souberam defender os interesses do clube. Não falo de Bruno de Carvalho e seus pares, mas sim dos dirigentes anteriores, aqueles que, entre um mar de erros e disparates, conseguiram promover uma pérola sem, atempadamente, tratar do seu seguro. Tal comportamento, como se viu em diversas outras situações, revela bem como foram geridos os destinos do clube nos últimos anos: sem lógica, coerência, visão e até mesmo inteligência. Devido a essa postura... os resultados, desportivos ou financeiros, são do conhecimento geral.

E como é que irá terminar isto? Não se sabe, mas parece evidente que um entendimento entre Bruma e o Sporting é, por agora, quase impossível. Significa isso que o jogador dificilmente voltará a ser uma figura de proa na equipa (até pode acontecer que nunca mais jogue com a camisola verde e branca), mas também que os leões só remotamente conseguirão receber um valor justo face à valia do extremo que, indiscutivelmente, tem tudo para chegar longe. E por muito que a família leonina apregoe que o jogador pode estar a ser mal aconselhado e até a colocar em risco a carreira (o que me parece algo exagerado), o Sporting é que vai perder mais.

Mas, adormecimentos no momento de agir, deixando por resolver problemas de importância elevada, não são exclusivo de Alvalade. Bem perto, na Luz, também falhou alguma coisa no dossiê Cardozo. O paraguaio “avariou” na final da Taça de Portugal, colocou em causa a autoridade de Jesus e foi de uma indelicadeza tremenda com um jovem companheiro. Face a tão evidente deslize – naturalmente resultado de mais uma derrota traumatizante numa época que podia ter sido das mais brilhantes da história do clube e acabou por ser uma das mais cinzentas –, impunha-se uma pesada multa ao avançado. Exigia-se até que o jogador fosse obrigado, quanto antes, a pedir desculpas pelo ato tresloucado. Em privado e publicamente. Mas, aparentemente, o dianteiro deixou Portugal sem se retratar. Por outras palavras, passou o “timing” em que os dirigentes podiam ter conseguido juntar os cacos. Agora, tudo aponta para uma saída pouco airosa, seguramente por uma verba consideravelmente inferior ao real valor do avançado. Mas o dinheiro pode não ser o único problema para os encarnados neste “filme”. É que desportivamente não parece que o Benfica tenha assegurado uma alternativa para a frente de ataque que possa valer tantos golos como o sul-americano marcou ao longo das últimas épocas. Até por isso, devia ter havido um esforço para aproximar jogador e técnico.

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