Ronaldo e Micael em grande

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Já critiquei várias atitudes de Cristiano Ronaldo ao longo dos tempos. Fora do campo, o agora futebolista do Real Madrid, na minha opinião, nem sempre tem tomado as melhores decisões. Contudo, este domingo, no decorrer do embate dos merengues com o Villarreal, respeitante ao campeonato espanhol, apreciei tudo o que um dos melhores jogadores do planeta fez. Do golaço de livre directo, às assistências para os companheiros.

No entanto, o que mais gostei foi ver Ronaldo aproveitar o seu estatuto de figura reconhecida em todo o mundo para chamar a atenção para a tragédia que se abateu sobre a Pérola do Atlântico. Ao levantar a camisola de jogo, após a obtenção do primeiro golo da partida, e ao exibir outra com a inscrição "Madeira", o mais famoso ilhéu mostrou o carinho que sente pela sua terra, pelas suas gentes.

Praticamente ao mesmo tempo, no Porto, outro madeirense tinha iniciativa semelhante. Ruben Micael cumpriu o minuto de silêncio de homenagem aos seus conterrâneos desaparecidos com a bandeira da Região Autónoma nas mãos. E mais tarde, depois de ajudar a equipa a golear o Sp. Braga, sentou-se no banco dos suplentes agarrado ao símbolo regional.

O desporto, mais do que uma profissão para uns ou mero divertimento para a maioria, deve ser sempre encarado como uma escola de vida, um veículo de transmissão de nobres valores, como a camaradagem, a solidariedade ou o respeito pelos outros. E se é verdade que, ultimamente, também tem sido palco de inúmeros episódios obscuros, sabe bem ver que, na essência, tudo se mantém como devido.

Cristiano Ronaldo e Ruben Micael estiveram simplesmente brilhantes este domingo. E tenho a certeza que também não faltarão no futuro, quando a ajuda à Madeira passar a ter de ser feita de outra forma, nomeadamente através do apoio financeiro. Eles, felizmente, podem ajudar e sei que o farão, juntando-se a outros madeirenses conhecidos (Joe Berardo, Horácio Roque ou Fátima Lopes, só para citar alguns) e, espero eu, a todos os que não sendo madeirenses são portugueses e entendem que o País não vai se esgota de Norte a Sul.

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