Ronaldo e não só

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O FC Porto falhou o acesso às meias-finais da Liga dos Campeões. Pese ter feito uma exibição tremenda em Manchester, a verdade é que, no somatório das duas mãos, faltou um golo à formação portista para seguir em frente. A falta de sorte em determinados momentos, o impensável deslize de Bruno Alves no primeiro embate ou a ausência de Jesualdo no banco no duelo decisivo - assim como a lesão de Lucho ou a prestação menos famosa de Hulk quando parecia certo que o brasileiro teria condições para ser protagonista - ajudam, parcialmente, a explicar o afastamento. Mas, para além disso, convém referir mais dois "pormenores". Cristiano Ronaldo e o valor do adversário.

O madeirense pode não andar tão inspirado quanto há uns meses. Por vezes, é certo, até rubrica exibições pouco conseguidas (como sucedeu em Inglaterra) mas, a qualquer altura, mercê do seu sensacional talento, pode decidir um jogo, uma eliminatória. Foi o que se passou no Dragão. Um "tiro" inesperado, do meio da rua, nos instantes iniciais, não valeu apenas um golo. Foi o momento fulcral na eliminatória. Os pupilos de Ferguson lograram conseguir, apenas 6 minutos depois do arranque do jogo, o tento obrigatório para sonhar com a qualificação. E isso, para além de os serenar e moralizar, teve um efeito contrário na equipa portista.

Os campeões nacionais demoraram a reagir. Para quem entrou em vantagem num jogo decisivo em casa, sofrer um golo logo no arranque é uma péssima notícia. Ainda por cima quando do lado contrário estão um naipe de jogadores de elevada qualidade e, tão ou mais importante, experientes, bastante rotinados em encontros com esta carga emocional.

O FC Porto, na segunda parte, teve capacidade para ir à procura da qualificação. Nem a lesão de Lucho ou a desinspiração de Hulk impediu os dragões de tentar a reviravolta. Em determinados momentos, aliás, o Manchester teve mesmo de cerrar fileiras em frente à sua baliza (Rooney, por exemplo, foi obrigado a constantes recuos no terreno de modo a auxiliar as linhas atrasadas). Mas, mesmo concedendo a iniciativa aos portugueses, os "red devils" formaram sempre um bloco coeso: seguros a defender, inteligentes a manter a posse de bola e perigosos cada vez que saiam para o ataque.

Tal como em outras ocasiões, o FC Porto provou ter argumentos suficientes para ombrear com os melhores (é, indiscutivelmente, a única equipa portuguesa que, com regularidade, consegue ser competitiva ao mais alto nível). Porém, também ficou visível que, diante dos colossos internacionais, não basta jogar bem, começar em vantagem, ter mais posse de bola ou rematar mais vezes. É preciso ser eficiente. E no Dragão, desta feita, eficaz foi o United.

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