Rui Patrício: de herói a réu

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É inacreditável o que muitos sócios e adeptos leoninos estão a fazer a Rui Patrício. E tudo porque o rapaz deu um frango com o Mafra, quando a equipa vencia por 4-1, a cerca de 10 minutos do termo do embate referente à Taça de Portugal, o tal que entrou na história porque, no final, Sá Pinto resolveu dar uns socos a Liedson...

O jovem guardião que, há uns meses, era tido como o melhor do País para a maioria dos sportinguistas, parece agora ser o principal culpado da nova espiral cinzenta em que o clube de Alvalade mergulhou com as derrotas em Braga, no Porto e, em casa, com a Académica, desfechos que, em traços gerais, acabaram com as pretensões verdes e brancas na Liga e na Taça de Portugal.

Não posso dizer que Patrício tenha estado brilhante nos últimos jogos. Tal seria faltar à verdade. Aliás, é justo afirmar que o guarda-redes podia ter feito mais em alguns dos golos que sofreu recentemente mas, sejamos claros, as derrotas da equipa comandada por Carlos Carvalhal não podem ter como único responsável o "keeper". Não foi ele quem desperdiçou várias ocasiões no ataque, não foi ele quem provocou buracos gigantescos no sector defensivo, não é ele o único a vacilar num momento de notória crise de falta de confiança. O problema do Sporting é bem mais profundo. E, seguramente, não começa, nem acaba, dentro do campo, nem tão-pouco na equipa técnica...

Estou completamente à vontade para fazer a defesa de Patrício porque nunca o considerei um guarda-redes de eleição. Cheguei mesmo a ter discussões interessantes com amigos e camaradas de profissão que o apontavam como digno sucessor de Vítor Damas. Sempre vi nessas comparações um tremendo exagero, tal como nunca alinhei na tese que defendia a titularidade do jovem leão na Selecção Nacional. Para mim, Eduardo e Quim são valores mais seguros, beneficiando ainda do facto de serem mais velhos e de possuírem outra experiência. Beto, caso competisse com regularidade, também seria, em meu entender, uma opção mais válida. Ainda assim, "vejo" Patrício, naturalmente, como seleccionável.

Sempre considerei igualmente que Stojkovic era o melhor guarda-redes do plantel do Sporting. Deixando de lado o seu tradicional mau feitio, bem como alguns deslizes que, mais tarde ou mais cedo, acabam por suceder a todos os guardiões, o sérvio parece-me mais consistente. Aliás, nunca entendi porque razão o clube gastou dinheiro a comprar um estrangeiro para, pouco depois, oferecer a titularidade a um jovem da casa. Teria sido mais lógico investir o dinheiro noutro jogador e, desde logo, no arranque da época, apostar em Patrício. Mas, optando pela contratação do titular da selecção da Sérvia, assumo que nunca percebi as razões para a sua margem de erro ter sido, com Paulo Bento, tão escassa.

A verdade é que, de momento, não mora Stojkovic em Alvalade. E sendo assim, com todo o respeito por Tiago ou Ricardo Baptista, considero que o treinador não tem outra hipótese que não seja manter a aposta em Patrício. Contudo, ao ser constantemente assobiado pelos seus próprios adeptos, o jovem vive em clima de permanente ansiedade, apesar de não o admitir. E quando tal acontece, aumenta consideravelmente a hipótese de erro. Não posso garantir que Patrício não teria falhado no livre de Orlando se, aquando da entrada em campo para o aquecimento, não tivesse sido assobiado ou, pior que isso, se não escutasse mais de meio estádio (10 mil pessoas) a apupá-lo aquando do anúncio do onze titular dos leões para o recente embate com a Académica. Mas, tenho a certeza, nada disso o ajudou. Estranho é constatar que os adeptos, ao agir assim, não entendem que estão a prejudicar o seu próprio clube...

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