Russos

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Confesso que me enternece o narcisismo dos clubes portugueses. Parecem convencidos de que, em termos empresariais, são uma grande espingarda e que portanto há investidores estrangeiros a desunharem-se por poderem colocar lá o seu dinheiro. Até à data, nem vê-los: nem yuans, nem kwanzas, nem rublos. Nem, já agora, euros.

Na tabela das alucinações coletivas lidera ainda uma OPA de chineses ao Benfica, que nunca ninguém viu. No ano passado, o Sporting terá estado prestes a ser rifado a capitais angolanos, assim se dizia, supostamente através da candidatura de Braz da Silva, que no entanto desistiu antes de chegar às urnas. Ontem, o “Diário de Notícias” garantia que um empresário russo está interessado em comprar o Sporting, que conhece como “o clube de Ronaldo”.

Trata-se de Mikhail Prokhorov (na foto), é o 24.º homem mais rico do Mundo, proprietário dos New Jersey Nets, e chamar-lhe “empresário russo” é uma factualidade. Prokhorov é da árvore dos oligarcas instantâneos, como o é o famoso Roman Abramovich, árvore essa criada com as privatizações na Rússia. Neste caso, a fortuna provém da indústria mineira.

O futebol português não é grande mina, está tão descapitalizado como o país. Quando os clubes falam da possibilidade de ter de abrir o capital a empresários estrangeiros, estão a exprimir uma necessidade. Mas investidores russos não são sportinguistas nem benfiquistas, investem ou para terem lucro, reconhecimento, ou para se divertirem. Neste momento, o Sporting não dá nenhuma destas coisas.

PS: Sobre a história da fonte do Sporting que, mentindo, disse à Lusa que Domingos Paciência estava em contactos com o Porto mesmo antes de ser despedido: será mesmo possível que a “fuga” de informação tenha tido como intenção deixar de pagar a indemnização ao treinador?

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