Sair do banco

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SUPLENTES – O banco dos suplentes é um mundo no qual as emoções nem sempre andam de mãos dadas com o bom senso. Ficar de fora não é para todos, porque muitos se acham à partida injustiçados e nem adianta colocá-los em campo; porque há outros cuja força maior reside na influência sobre o funcionamento do colectivo e por questões de ordem técnica não resulta fazê-los entrar a meio; porque nem todas as substituições estão despojadas de segundas intenções, existem outros ainda que resolvem assumir com o treinador uma espécie de diálogo sem palavras do qual a equipa sai normalmente prejudicada.

DISPERSO – Quando Emile Heskey entrou no jogo com Portugal, na fase final do Euro--2000, a Inglaterra já perdia por 2-3. O ponta-de-lança do Liverpool foi a gesticular muito para dentro do campo e a falar ainda mais. Do exterior ficou toda a sensação de que trazia novas ordens para os companheiros e que toda aquela exuberância tinha a ver com a inspiradora convicção de que era possível inverter a tendência do jogo. No relvado percebeu-se logo que não era bem isso, porque o ar decidido e ao mesmo tempo preocupado tinha Rui Costa como destinatário. Heskey, afinal disperso e desconcentrado, aproveitou a aposta de Kevin Keagan para tirar senha e requisitar, afinal, a troca de camisola com o jogador português.

MILAGROSO – Na fase de qualificação para o Mundial de 1986, a Suécia perdia em casa com a Alemanha por 1-2. Era um resultado que afastava praticamente os nórdicos e, já agora, era óptimo para Portugal, que estava na mesma luta. A um minuto do fim, o seleccionador chamou Mats Magnusson e disse-lhe que ia jogar os últimos segundos, ao que o ponta-de-lança respondeu, "mister, não vale a pena, o jogo está mesmo a acabar". O avançado que havia de jogar no Benfica tinha razão, mais ainda se tivermos em conta que numa altura daquelas as substituições só fazem sentido para quem está a ganhar. Mats entrou e correu para a área. Esperava o apito final do árbitro, recebeu a bola e protagonizou o milagre: tocou na bola só uma vez e fez o empate.

CONVICÇÃO – Devolvido ao lote de suplentes desde o regresso de Benni McCarthy, Hélder Postiga tem reagido com todos os seus vastos argumentos: jovem, avançado e bom jogador; motivado e desejoso de oportunidades para se mostrar, seja como titular ou suplente. Em Setúbal, José Mourinho deu-lhe vinte minutos que ele aproveitou para marcar dois golos, isto é, fazendo num ápice aquilo que o seu companheiro e concorrente no eixo do ataque portista não conseguira em mais de uma hora. O banco também costuma ser o início de grandes carreiras.

PALPITES – No Espanha-Portugal da semana passada, tudo se passou dentro da normalidade de particular, com muitas substituições, numa altura susceptível para se tentar perceber a tendência de António Oliveira com vista ao Mundial. O seleccionador confirmou indicações seguras e alimentou palpites exteriores. Deu meia parte aos suplentes Quim, Dimas, Pedro Barbosa, Nuno Gomes e Simão; meia hora a Jorge Andrade e dez minutos a Capucho. Aos 93 minutos mandou entrar Paulo Bento, que fez uma corridinha até ao meio campo e voltou logo para trás, porque o jogo, entretanto, terminara. Isto para vos dizer, apenas, que custa sempre ver alguém com 32 anos e 29 internacionalizações ser tratado como um miúdo.

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