Sanguessugas – pára o baile?!

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Sanguessugas – pára o baile?!
Sanguessugas – pára o baile?!

Mesmo no futebol-negócio, mesmo considerando e respeitando a vontade dos atletas em crescer profissionalmente, melhorando as condições financeiras, não se pode continuar a alimentar esta ideia de que os contratos, quando são assinados, não são para cumprir. Os casos de Rojo e Slimani, no Sporting, conhecem diversas “nuances”, mas os clubes não podem continuar a ser tratados como se não tivessem quaisquer direitos senão pagar os ordenados e prémios aos futebolistas. Os agentes ou empresários são muito responsáveis por tudo o que está a acontecer no futebol, transformando-o numa selvajaria, sem ética nem pudor, e é tempo de começar a colocar um travão nisto, sob pena de os clubes estarem totalmente nas mãos de intermediários e de investidores – de quem nem sequer se conhece os rostos.

Se se continuar a aceitar a penetração dos fundos no futebol, esses gladiadores de cara tapada dispostos a mudar as lógicas de planeamento, as eleições nos clubes, os órgãos sociais e os próprios associados passarão a fazer parte de um embuste. É verdade que foram os dislates de gestão que colocaram o futebol no ponto de ruptura em que se encontra, mas não travar estes impulsos selvagens corresponderá a transformar o futebol em algo muito pouco atractivo para quem acredita na força do trabalho e nas competências técnicas.

Opresidente do Sporting, Bruno de Carvalho, tem a seu favor o facto de não ter nada a ver com a lógica do futebol português dos últimos trinta anos. Uma lógica de compadrios, promiscuidades, favores e um “tutti quanti” de expedientes que visaram dimensionar o negócio de acordo com interesses de índole pessoal.

Bruno de Carvalho chega ao Sporting no limite de um conjunto de gestões ruinosas, com o alto patrocínio do BES, que a certa altura interiorizou uma espécie de “fórmula bancária”, a partir da qual se professou a ideia de que “quanto pior para eles, melhor para nós”... e para o respectivo serviço da dívida. Por isso, sempre advoguei o princípio de que, repetidas as fórmulas dos últimos anos, com o futebol a ficar soterrado debaixo de interesses imobiliários e outros, o Sporting precisava de uma liderança à margem dos cânones habituais e, nesse sentido, precisava de um “Bruno de Carvalho” qualquer. Alguém que impusesse certas rupturas, que fosse capaz de identificar e denunciar o regime do “canibalismo leonino” e projectar o Sporting para um patamar de racionalidade, realismo e solvência.

Nesse sentido, em cerca de ano e meio Bruno de Carvalho cumpriu o seu papel: acabou com a caótica descentralização (todos davam palpites, interna e externamente), teve o bom-senso de não fantasiar a necessidade-limite da reestruturação financeira e colocou o Sporting num plano de alguma respeitabilidade que, sejamos claros, havia perdido. Bruno de Carvalho cumpriu essa tarefa, com um grupo muito fechado, em menos tempo do que seria expectável – e isso é meritório, beneficiando, igualmente, do trabalho de um treinador (Leonardo Jardim) que soube tirar o máximo rendimento dos jogadores colocados à disposição.

Esse mérito ninguém o tira ao presidente do Sporting. Mas isso não quer dizer que, perante essa boa abordagem, Bruno de Carvalho esteja legitimado a fazer, a partir de agora, o que outros fizeram no passado. Quer dizer: o presidente do Sporting tem ainda de provar que os sócios do clube de Alvalade fizeram a escolha certa quando decidiram interromper a “saga do roquettismo”’ e seus derivados, sempre com o alto patrocínio do BES, ou pelo menos de uma ala do BES.

Quer isto dizer que, entre outras coisas, ainda não está explicada a razão pela qual Bruno de Carvalho decidiu apostar na contratação de jogadores jovens no mercado internacional, quando o Sporting tem tido a capacidade de detectar e formar jogadores jovens em número e qualidade apreciáveis...

Se Bruno de Carvalho quer ser um dirigente distintivo em relação à marca do dirigismo desportivo dos últimos trinta anos, não deve ajudar a criar dúvidas ou suspeitas em relação a este denso e misterioso mundo das transferências, no qual andam muitos a ganhar dinheiro de forma pouco transparente. Diz-se, à boca pequena, há muito tempo, que há presidentes, dirigentes e até treinadores envolvidos neste esquema de ganhar dinheiro à custa das transferências, em circuitos paralelos àqueles que estão declarados e auditados. E, por ser assim, acreditando que a este nível tem de haver mais e melhor regulação, desta honrada tribuna que o Record me coloca à disposição lanço-lhe desde já um repto: clame bem alto que não quer pertencer a essa casta de novos-ricos (à custa do futebol) e denuncie esses sórdidos labirintos. Se o fizer, a sua luta contra estas novas sanguessugas do desporto-rei, decisivos na engorda dos passivos, tornar-se-á útil. E ganhará o respeito de todos aqueles que querem ver o futebol despovoado de oportunistas.

JARDIM DAS ESTRELAS - ****

Rúben Neves - 17 anos!

Um jogador com 17 anos que chega à primeira equipa do FC Porto e é titular na primeira jornada da Liga não pode ser obra do acaso. Não acredito que Rúben Neves tenha sido colocado no “onze” portista no arranque de 2014/15 apenas por capricho. Um treinador que faz uma aposta destas (como Leonardo Jardim fez com William Carvalho no Sporting) é porque vê qualidades no atleta e está disposto a fazer dele uma aposta segura. E o rapaz mostrou maturidade, bons pés, bom posicionamento. Sinais muito positivos neste FC Porto de Lopetegui. Posse de bola, pressão alta, organização e fantasia. Brahimi e Óliver não enganam. O FC Porto promete.

O CACTO

Serenar?

O presidente do Benfica não vê nenhum problema na relação com o BES ou com o Novo Banco. Parece evidente que nada será como dantes, nem para com “clientes cumpridores” como é o Benfica. Vieira sabe disso, mas a preocupação foi serenar os benfiquistas, explicando pouco. Bem sei que os dirigentes de uma maneira geral gostam pouco de detalhar, mas o futebol em Portugal chegou a um ponto em que se exigiria um discurso mais de acordo com as realidades. E a realidade é que não se pode gastar como se gastava e é preciso fazer marcha-atrás. Aliás, Vieira deu sinais disso mesmo. Mas o momento exigiria que fosse mais claro. Não há razões para optimismos.

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