Santo Agostinho
Agostinho Oliveira é hoje o português mais angustiado pelos seus dilemas – e sabemos bem o quanto é difícil atribuir esse título absoluto entre os nascidos neste povo que lava no rio...
Se Portugal ganha hoje na Noruega, a vitória é dos jogadores que jogam até em “piloto automático”, como diz o líder da FPF, que já lidera em piloto automático vai para mais de oito anos. E só agora, algumas vozes autorizadas e próximas de Queiroz decretam que não tem condições para assim liderar. Concordo.
Mas a FPF enquanto instituição coletiva de direito público bem podia usar tal argumento – o do piloto automático do seu líder – para declarar anulável o contrato celebrado entre Madaíl, no momento, certamente a planar em piloto automático, e um técnico no pleno domínio dos comandos de voo. Um contrato leonino, em sentido jurídico – poderia ser declarado.
Mas tudo isto é apenas mais uma história deste povo que lava no rio.
Voltemos a Agostinho Oliveira, e ao seu dilema de amanhã.
Se Portugal ganhar, a vitória é dos jogadores. E até, suprema ironia, de Madaíl. Se Portugal empatar ou perder na Noruega, a derrota é de Agostinho Oliveira e de Queiroz.
Ora, um empate ou derrota, de Queiroz será certamente. Já de Agostinho Oliveira poderia ser ou não. Se Agostinho Oliveira é um mero veio de transmissão de um selecionador incapaz de desempenhar o cargo, então o melhor seria Agostinho assumir isso até ao limite e apresentar-se no terreno com auricular. Fazer gestos largos às ordens do senhor do títere.
Se, por outro lado, Agostinho quer atravessar o seu Rubicão, então já devia ter declarado que consegue pensar pela sua cabeça.
Mas o Rubicão não é rio onde este povo costume lavar.
Infelizmente para todos.
