Santos e o dilema da baliza

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O Benfica fez o que lhe competia: em casa, perante um PSG descrente e cheio de buracos na defesa, ganhou e assegurou a qualificação para os quartos-de-final da Taça UEFA, onde medirá forças com um também acessível Espanyol. Mas, sendo verdade que no desporto profissional o que conta são os triunfos, convém recordar que Fernando Santos "esticou a corda" ao limite. E esta, com um pouco de azar, podia ter rebentado. Seria o bom e o bonito, com o Engenheiro a ter de justificar... o injustificável.

Continuo a considerar, obviamente, que o técnico é a pessoa indicada para decidir se deve jogar fulano ou beltrano. Da mesma forma que é ele que tem de decidir qual o melhor sistema de jogo. É pago para fazer essas escolhas. Mas, convenhamos, num clube onde a pressão é enorme e constante, manda a lógica que o treinador procure o caminho do sucesso sem criar situações de instabilidade. Para si, para determinado atleta, para a equipa.

Se dúvidas existissem em relação ao apoio que Moreira tem junto dos adeptos, a sua entrada em campo diante da U. Leiria foi esclarecedora. O jovem "keeper" recebeu estrondosa salva de palmas. Até parecia que o Benfica tinha marcado. Por outras palavras: se o guardião oriundo do saudoso Salgueiros é mais popular que Quim, imagine-se a sua cotação comparando com Moretto, guarda-redes também de nível, é certo, mas que tem a estranha característica de defender bolas impossíveis e de vacilar nas mais improváveis. Os compatriotas da defesa (cada vez são mais, com a entrada de David Luz e a saída de Rocha) até podem elegê-lo como a melhor solução para a baliza, mas juntos dos associados... o seu lugar é o terceiro. E bem distante dos dois portugueses.

Ao optar pelo brasileiro - que fez uma boa defesa logo de entrada, mas não evitou sofrer um golo esquisito para depois tremer em quase todos os cruzamentos -, Santos desiludiu a maioria dos adeptos; colocou-se numa situação de tremenda fragilidade; deixou Moretto num estado de ansiedade nada indicado para uma jornada decisiva e, claro, "matou" Moreira.

A explicação dada no final até pode ser correcta. Acredito que Moretto trabalhe mais e melhor que Moreira nos treinos. Mas, se isso é verdade, então não entendo o porquê da rotatividade na hora de ser suplente. Para titular ou para opção no banco, creio que o técnico deve escolher sempre os melhores. E, pelos vistos, para Santos é indiscutível que Moretto é (ou está, momentaneamente) melhor que Moreira.

Parece-me claro que, em 2007/08, o jovem nortenho não vai querer passar outra temporada como esta: a "rodar" entre o banco e a bancada. A sua saída da Luz pode estar a ganhar peso. Mas, no futebol como na vida, as coisas mudam muitas vezes. E depressa!

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