Santos é um homem de fé

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Não sou muito dado às coisas da religião. Mas, claro está, respeito todos os que, independentemente do credo, encontram na fé conforto, apoio ou ânimo para lidar com as dificuldades do dia-a-dia, sejam elas profissionais, amorosas, económicas ou de qualquer outra índole. Por outras palavras, não pratico religião alguma, mas não me incomoda que familiares, amigos ou vizinhos sejam crentes. É um assunto que não me diz respeito. Apenas realço que aceito, sem reservas, as opções de cada um. Penso, aliás, que esta é a única postura possível a quem defende a liberdade. E eu defendo-a sempre.

Fernando Santos nunca escondeu que era um homem de fé. Não é por isso que o considero melhor ou pior pessoa, nem um treinador mais apetrechado (ou menos capaz) para o desempenho da sua actividade. Isso é irrelevante, pois caso contrário as igrejas andavam lotadas de técnicos... Mas, depois de ter visto o Espanyol-Benfica, creio ter entendido as razões que levam o Engenheiro a ser tão devoto. O Benfica esteve próximo de sofrer uma das derrotas mais embaraçosas dos últimos anos e de dizer adeus à aventura europeia desta época, mas acabou por perder por apenas um golo. Da humilhação ao resultado satisfatório a distância foi curta, pelo que a qualificação para as "meias" da UEFA está bem ao alcance.

Tendo em conta que me parece inequívoco que o caos inicial se deveu, em grande parte, a algumas das opções do técnico, acredito que só uma intervenção divina possibilitou o remendar da situação. Dar a titularidade a João Coimbra e Derlei, em detrimento de Rui Costa e Miccoli, só podia lembrar a um crente como Santos. Eu sei que a condição física do experiente médio não é a melhor e também entendo que Santos pretenda, de vez a vez, "puxar" pelo reforço de Inverno, mas a verdade é que as águias desperdiçaram mais de meio encontro por causa desta "revolução". É certo que o técnico não teve culpa da indisponibilidade de Luisão e Katsouranis, nem dos inúmeros deslizes do sector defensivo, mas lançar Coimbra e Derlei, reafirmo, dificilmente daria bom resultado. E se Coimbra só serve para jogar 5 minutos de cada vez na Liga, porque raio havia de ser titular em Barcelona? E se no lançamento do jogo, Santos salientou a obrigatoriedade de marcar golos na condição de visitado, porquê Derlei no posto do italiano? A menos que me tenha escapado algo, creio que o brasileiro tem tantos golos de águia ao peito quanto o meu vizinho do lado...

Desta vez, a fé de Santos - em consonância com as substituições óbvias - ajudou a que o Benfica, milagrosamente, tenha escapado de boa. Segunda-feira, em Aveiro, então a contar para a Liga, há mais um teste. Só que aí, perder por um golo ou por cinco, o efeito será o mesmo!

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