Scolari e as noitadas
Depois de várias vezes ter dito que pouco lhe importava o que os jogadores da Selecção faziam durante as respectivas folgas, Scolari parece ter sido forçado a emendar a mão. Tanto ou tão pouco que, pelos vistos, a regra vai passar a ser bastante diferente: não há folgas para ninguém!
Não fui defensor da atitude demasiado relaxada do seleccionador aquando do aparecimento das primeiras notícias sobre as noitas longas dos nossos craques. Pela forma como Scolari reagiu às questões colocadas pelos jornalistas até parecia que quem tinha andado a "pisar o risco" eram os profissionais da imprensa e não os atletas de alta competição. Mas, agora, também não subscrevo o regulamento que aí vem. Proibir as noitadas é uma coisa; acabar com as folgas é outra.
Como em tudo na vida, essencial é o equilíbrio, o bom senso. Neste caso concreto, tal significa que os jogadores - quando em estágios prolongados ou durante as jornadas duplas de apuramento para Europeus ou Mundiais - merecem ter algumas horas de descanso. Sair das unidades hoteleiras onde estão hospedados; comer em restaurantes do seu agrado; conviver com família e amigos ou dar uma "saltada" a um bar ou discoteca parecem-me acções perfeitamente normais e até fulcrais para, por momentos, poderem pensar em algo que não o futebol. Mas para que não existam exageros (sem regras justas e lógicas eles acabam sempre por aparecer...), creio que se devem estabelecer alguns padrões de comportamento, nomeadamente fixar uma hora aceitável de regresso ao "quartel-general".
Scolari desvalorizou a questão quando ela se colocou pela primeira vez; ignorou os sinais de alerta que a imprensa relatou e limitou-se a assobiar para o lado. As vitórias contribuiam para a sua "táctica". Agora, tudo se alterou. Depois das noitadas acabarem bem de manhã; de alguns futebolistas se terem envolvido em cenas menos dignificantes à porta de conhecidos estabelecimentos nocturnos e da Selecção ter feito uma exibição sofrível (acompanhada de derrota) na Polónia... o seleccionador pacato e bonacheirão voltou a vestir a pele de "Sargentão".
Os futebolistas, face aos seus exageros, são culpados de toda esta "embrulhada", embora alguns, coitados, nunca se tenham envolvido em saídas perigosas. Mas, convenhamos, Scolari também tem culpas no cartório. Facilitou e deu-se mal... Esperamos apenas que, ao tentar restabelecer a ordem, não esteja a cometer outro erro, agora por excesso de vigilância.
