Scolari e Bento e o "padrão tuga"

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Scolari e Bento e o "padrão tuga"
Scolari e Bento e o "padrão tuga"

Como se concluirá da leitura da segunda parte deste texto, Scolari é apenas um apêndice da história. Anda a fazer anúncios em vez de escolher bem os jogadores e de os treinar, com rigor e profissionalismo? Scolari não é mais do que um dos mais relevantes produtos do marketing desportivo. Não é um especialista na área do treino? Não é um especialista em tácticas? Não é um reformador? Nada disso, como se observa. Mas tem aquilo que os patrocinadores gostam (enquanto ganha o suficiente): a palavra doce e muitas vezes provocatória, um certo xamã místico e uma especial empatia com os bancos (que não os de suplentes). Scolari é um dos expoentes máximos do futebol-negócio. E é nessa condição que escolhe jogadores, organiza equipas através de princípios rudimentares e ultrapassados, explorando o lado ascético do futebol. Um dia tinha de ser desnudado, como Isaías na Bíblia. Aconteceu na Copa. Há um dia em que nem os marqueteiros conseguem mascarar a realidade

As federações, com honrosas excepções, estão a aprimorar o conceito de se tornarem extensão de um negócio só para alguns, usando as bandeiras dos países e, em muitos casos, estimulando esquemas que visam fugir ao pagamento de impostos. Tudo isto com beneplácito dos contribuintes e dos cidadãos, figuras menores de um circo que está a atingir o seu ponto máximo de escândalo. A FPF, neste aspecto, deixou-se encurralar e é hoje uma placa giratória onde aterram todo o tipo de interesses menos o interesse público. Não chegou o exemplo do BPN?! A CBF está há muito debaixo de fogo e arrisca-se a implodir. A FPF vai pelo mesmo caminho. Ou trava a fundo e recua ou assume a vocação para ser um entreposto de interesses (super) privados. O que aconteceu no Brasil – ao Brasil e a Portugal -- deveria ser suficiente para um alerta geral na FPF. Mas enquanto as vacas derem leite...

Não é só o nome da Alemanha que surge como denominador comum no desconchavo das exibições de brasileiros e portugueses. Há um outro denominador comum: a forma como ambos olharam para o adversário. Com arrogância, sem rigor, sem qualquer tipo de adesão à realidade. O maior de todos os erros: não terem (ambos) mudado o sistema de jogo. Com os germânicos, não se pode entregar o meio-campo de mão beijada. Não viu isso Bento; não viu isso, “a posteriori”, o que é mais grave, Scolari. Este Mundial serviu para demonstrar que Scolari e Bento assentam os seus desempenhos nas ficções que (lhes) constroem em redor. Ainda assim, não obstante o prejuízo que nos causou, via BPN, Scolari continua a ser endeusado na imprensa lusa e nas redes sociais, como se tivesse sido o salvador da Pátria, mesmo depois de agredir um sérvio num jogo oficial. É o chamado “padrão tuga”.

Com o Brasil fora da final do Campeonato do Mundo, o país que promoveu a ilusão e exige dos contribuintes o pagamento de uma factura para a qual não têm dinheiro volta agora a confrontar-se com os problemas do dia-a-dia.

O povo brasileiro começou por gritar, começou por contestar, porque percebeu que a FIFA e o governo alinharam numa empreitada megalómana, com estádios e derrapagens a mais. O costume.

Se o Brasil não tem ganho o primeiro jogo – e isso esteve quase a acontecer – seria uma tragédia. Mas, mesmo com uma selecção mal preparada e mal orientada, a jogar um futebol de terceira classe, a bola foi entrando, provocando sorrisos e esperança. O povo serenou, Dilma rejubilou e o Mundo, que gosta de festa e de samba, de caras bonitas e biquínis na praia, aceitou. Aceitou o Brasil, o país do futebol, como candidato. Até que surgiu a Alemanha, o último degrau até ao êxtase. O êxtase do Mundial dos Mundiais. O êxtase da redenção. O êxtase da justificação de todos os gastos e de todas as patifarias.

O problema macro é que a FIFA constituiu-se num poder incontrolável e esmagador, a revelar uma face maldita, que contribui para a exaustão dos dinheiros públicos. Serve-se da magia do jogo e das benesses que distribui – a uma elite considerável – para encher os cofres e para asfixiar a soberania dos povos. É um jogo sujo e perigoso, que tem a conivência de outro tipo de elites, as elites políticas que vêem no futebol um trampolim de notoriedade e angariação de votos.

É tempo de dizer basta! É tempo de dizer basta aos negócios e às negociatas. É tempo de dizer basta a estes “heróis do povo” que, em muitos casos, não pagam impostos para enriquecerem à custa da boa fé dos adeptos. Queremos futebol, queremos futebol-jogado, queremos, até, futebol na sua componente de negócio, mas não queremos alimentar este jogo de “ladrões contra ladrões”. É tempo de parar, mas para isso é necessário que os adeptos não queiram mais deixar-se enganar.

Perante isto, Scolari e Bento são minudências.

JARDIM DAS ESTRELAS - ****

Messi, outra vez

Mundial a chegar ao fim e, do ponto de vista meramente desportivo, uma prova que nos prendeu e seduziu, com muita qualidade. Houve surpresas pela negativa (Espanha e Portugal as maiores), mas também houve revelações: mais a Costa Rica do que o México, Chile e Colômbia. A Argentina beneficiou de um Grupo fraquinho, muito acessível, e veio em crescendo, parecendo até capaz de poder protagonizar uma surpresa, perante a favoritíssima Alemanha – a Excelentíssima Dona Alemanha de todos os rigores. Entre os astros, Messi acabou por ganhar a dianteira perante Cristiano Ronaldo e Neymar e, entre os craques, Robben esteve a um passo da glória e James confirmou todo o seu enorme talento. Muller, sempre. Kroos também. Foi também o Mundial dos guarda-redes, porque houve muito futebol de ataque (as equipas assumiram-se) e foi ainda o Mundial dos treinadores: Joachim Löw e Van Gaal num primeiro patamar. Faltou um bocadinho mais de Bélgica e à Holanda faltou-lhe o golpe de asa. Os Estados Unidos crescem (sem surpresa), a França reequilibra-se e a Inglaterra promete. África marca passo, com Argélia a cintilar. Ásia, zero. Sem esquecer Suárez, que vai morder para Barcelona.

O CACTO

Modo boicote

Aconselho o Record a guardar a manchete da edição de ontem: é que o Campeonato (português) está em risco permanente: se não for por causa da Liga, será por outra razão qualquer. Viva o boicote!

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