Scolari e Costinha
Goste-se ou não de Scolari, há uma coisa que ninguém pode contestar no seleccionador nacional: deixa bem claro desde o início o caminho que percorre, avisando desde logo que quem não partilhar esse trilho não faz parte da sua equipa.
A muitos causa estranheza e a outros arrepios mesmo que Felipão leve para o Mundial'2006 jogadores que não jogam nos respectivos clubes, deixando de fora outros com bons níveis exibicionais, mas a explicação para tão "arriscada" aposta pode encontrar-se logo nas primeiras palavras que proferiu quando em Dezembro de 2002 chegou a Portugal.
"Gosto de jogadores com liderança, e a assumam com personalidade, carácter e coragem", disse. Este reavivar de memórias vem a propósito de Costinha, que ontem expôs com coragem que não está na melhor condição física, admitindo renunciar à convocatória se até dia 15 não se sentir francamente melhor.
Costinha enquadra-se totalmente na definição de Scolari e se ontem subiu muito na consideração da generalidade dos adeptos portugueses, para o seleccionador não precisava sequer de ter dito isso. Os dois sabem que contam um com o outro e que vão estar juntos na Alemanha para levar Portugal a fazer um bom Mundial.
As opções de Scolari têm-se revelado certas. Os resultados não dizem outra coisa e quando assim é não há razão para mudar. Ou era preferível voltar aos tempos da Coreia e do Japão em que cada um fazia o que queria e bem lhe apetecia?
