Scolari não perdoa "afilhados"
A convocatória de Scolari para o duelo particular com o Brasil não deixa margem para dúvidas: alguns dos seus "afilhados" continuam sem entrar nas contas. E salvo algum imponderável momentâneo (onda de lesões e/ou castigos) não deverão voltar a ser chamados para os compromissos futuros. É uma opção discutível? Claro que sim! Mas parece ser a melhor para a equipa? Claro que sim!
Maniche, Costinha e Nuno Valente jamais poderão queixar-se de não ter tido o apoio do seleccionador. Scolari esteve sempre disposto a puxar por eles, nomeadamente pelos dois últimos, não hesitando em comprar "guerras" exactamente por pretender dar a mão a futebolistas a quem a opinião pública há muito via como "excedentários" na Selecção. Costinha conseguiu mesmo a proeza de figurar nos eleitos para o Mundial da Alemanha quando há vários meses não jogava pelo Dínamo de Moscovo. Parece que ainda estou a ver o agora médio do Atlético Madrid (cada vez mais suplente, acrescente-se...) a treinar sozinho, a uma semana do anúncio dos eleitos, a dizer que não se sentia em condições de representar o País num evento tão importante. Meia dúzia de dias depois já estava operacional e, claro, ninguém estranhou ouvir Scolari "cantar" o seu nome aquando da chamada dos 23 que nos levariam até um sensacional quarto lugar em terras germânicas.
Nuno Valente mereceu igualmente a confiança do técnico para o último Mundial quando, em Inglaterra, as suas exibições (para além de irregulares no tempo devido a problemas físicos) não justificavam a convocatória.
Se existem jogadores portugueses que nunca deveriam ousar "pisar o risco" com Scolari... Costinha e Valente fazem parte do lote. E o médio até a capitão da Selecção chegou. Mas, a jornada nocturna levada a efeito depois do jogo caseiro com o Azerbaijão (já no apuramento para o Euro'2008), aliada à péssima exibição na Polónia, deitou tudo a perder. Com uma vitória em Chorzow, talvez Scolari optasse, mais uma vez, por assobiar para o ar. Mas como Portugal saiu de mãos a abanar, o seleccionador mudou de táctica. Mais vale tarde que nunca...
Maniche é um caso algo diferente. É mais novo, tem mais futebol e joga com regularidade em Madrid. Mas, mesmo sendo um jogador de enorme qualidade - ainda por cima com um "feeling" especial para brilhar com a camisola das quinas-, já devia ter percebido que a vida de futebolista não se compadece com determinados comportamentos e atitudes. Scolari fez dele internacional A, mas não hesitou em afastá-lo após o célebre Portugal-Espanha de Guimarães (0-3). Recuperou-o em cima do Euro'2004. Em boa hora. Para Portugal e para o próprio futebolista. Mas, Maniche teima em não aprender com os erros. Teve problemas no Benfica e em Moscovo; já foi avisado em Madrid e, na Selecção, considerou ter espaço de manobra mesmo depois de um afastamento tão grande. Enganou-se. E mesmo sendo o único dos históricos que ainda terá alguma hipótese de regressar (devido ao seu talento), convém lembrar-se que, de momento, perdeu o "comboio" para Petit, Raul Meireles, João Moutinho ou Tiago...
