Seleção sem pano para mangas

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Seleção sem pano para mangas
Seleção sem pano para mangas

É o filme de sempre, visto e revisto em partidas de futebol: uma equipa que se adianta no marcador, que não carrega sobre o adversário para “matar” o jogo e a outra equipa a empatar. Perto do final, para não dar hipótese de emenda – como também rezam os livros.

Seria quase missão impossível, convenhamos. A perda de titulares como Coentrão, João Pereira, Bruno Alves ou Postiga e, em especial, Raul Meireles, o mais insubstituível dos “faltosos”, não deixava muita margem à esperança, tendo em conta, igualmente, que a turma nacional já não é a grande Seleção da primeira década do século. Esta manta de suplentes, apesar de esforçada, pertence ao segundo ou ao terceiro patamar das estrelas da bola e não podemos exigir-lhe que mostre em campo o futebol que na realidade não tem.

É certo que empatámos por causa de um erro improvável daquele que forma, com Pepe, Moutinho, Nani e Cristiano, o quinteto de ouro – do ouro que resta à Seleção. Mas não é menos certo que todos os golos acontecem porque alguém não fez o que devia, pelo que não se deve crucificar o guarda-redes leonino e, sim, condenar a lentidão global da equipa, que aparenta atuar, ontem como antes, com a certeza de que não vale a pena correr muito porque no fim acabaremos por nos qualificar. E se nos calhar a França e não a Hungria?

Infelizmente, a paragem dos campeonatos parece constituir uma oportunidade de abrandamento de ritmo para os internacionais portugueses, saturados de jogos nas ligas em que participam, e que circulam em campo, de quinas ao peito, sem velocidade, sem pressão e com uma circulação de bola quase miserável. Na terça-feira, voltam Coentrão e Postiga, saem Pepe e Cristiano, ou seja, vai ser bonito.

Na verdade, se já nos qualificámos para o playoff tanto faz, e Paulo Bento pode até fazer novas experiências, embora seja difícil que consiga melhores resultados, pois o pano que tem para o fato não chega para as mangas. E neste momento, afinal, só interessa saber que seleção nos calhará em sorte e descobrir o que fazer para pôr a nossa malta a esforçar-se um bocadinho – eis o drama dos dramas.

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