Selecção já não gosta de empates
Pois é. Tantas vezes ouvimos Scolari com a conversa de que empatar fora era positivo que, agora, até parece estranho vê-lo preocupado com os pontos desbaratados na longínqua Arménia. Segundo a sua bizarra teoria, fulcral é ganhar os duelos caseiros. Bom, isto é o que ele diz. Ou dizia, pois desta vez parece ter ficado assustado com a paupérrima prestação da equipa face a um conjunto possivelmente de bons rapazes, mas jamais (futebolisticamente falando) de rapazes bons.
Já aqui o disse e reafirmo: vencer em casa e empatar fora é, de facto, suficiente para Portugal cumprir o objectivo do apuramento para a fase seguinte do Europeu. E se já perdemos na Polónia, as contas foram recuperadas com o sucesso na Bélgica. Tudo isto é verdade e é suportado pela matemática, mas parte de uma base de raciocínio perigosa: que ganharemos a todos os opositores que nos visitarem. Basta equacionar um tropeção caseiro com sérvios e/ou polacos e o País entrará em colapso.
Mas, será que este tipo de discurso absurdo dos empates só incomoda meia dúzia de pessoas? Como é que uma Selecção que é a actual vice-campeã europeia (já para não falar no quarto posto no Mundial da Alemanha ou da contínua presença no "top ten" do "ranking" da FIFA) pode dar-se por satisfeita por empatar com a vulgar Finlândia ou com a inexistente Arménia?
Eu sei que temos hortas bem mais cuidadas que o relvado arménio; que os adversários pareciam estar ligados à electricidade tal a sua velocidade; que os jogadores portugueses raramente fazem bons resultados quando têm compromissos internacionais logo no arranque da temporada; que a falta de ritmo de jogadores como Postiga, Deco ou Nuno Gomes só atrapalha; que qualquer lesão de Ricardo Carvalho é suficiente para deixar em sobressalto uma defesa que, pelos vistos, parece empenhada em sofrer golos em todos os encontros em que actua como visitante, mas mesmo assim é preciso jogar tão mal e oferecer uma imagem tão débil de uma equipa de topo? Penso que não!
São os pontos perdidos com as equipas menores que, ano após ano, retiram a possibilidade de muitos clubes conquistarem títulos. Foi por empatar precisamente na Arménia que Portugal falhou a presença no Mundial de 1998. Não sei se Scolari sabe disso, mas eu e muitos portugueses ainda não nos esquecemos. Como não conseguimos apagar da memória a igualdade com o cotado Liechtenstein ou (mais recentemente) com aquele famoso clube do Kowait. O que vale é que, para muita gente, saimos sempre de cabeça erguida. Valha-nos isso!
PS - Sempre disse que Anderson não tinha estrutura mental para jogar numa equipa de topo. Agora, depois de saber que o problema de saúde do seu filho resolve-se (ou atenua-se) com uma transferência para Lyon fico com a certeza que o defesa não tem estrutura. Ou então tem graves problemas ao nível da geografia e pensa que a França está na América do Sul.
