Selecção Nacional... da vergonha

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Carlos Queiroz disse, no lançamento do particular com o Brasil, que este jogo era "uma óptima oportunidade para exaltar o espírito de Selecção". Pelas imagens que nos chegaram da viagem até Brasília e da estadia da equipa em solo sul-americano, o ambiente não podia ter sido mais festivo. Só foi pena que o passeio incluisse 90 minutos de futebol e que o "Bezerrão" fosse um estádio e não um qualquer restaurante de churrasco!

Depois de um impensável empate caseiro com a Albânia que, em definitivo, complicou as contas do apuramento para o Mundial de 2010, a Selecção conseguiu, na apresentação seguinte, deixar o País ainda mais mergulhado no cepticismo. Sofrer 6 golos num só embate (algo que não sucedia há 53 anos!!!) é verdadeiramente humilhante, mesmo sabendo-se que o adversário era forte, possuia jogadores de grande nível e actuava em casa. Ainda por cima, este mesmo Brasil, em jogos "a sério" (referentes à qualificação para o Mundial), não tinha marcado um único golo nos três derradeiros confrontos (face a Colômbia, Bolívia e Argentina) diante dos seus adeptos!

Queiroz andou a última semana a procurar "evangelizar" os adeptos, desdobrando-se numa maratona de entrevistas onde garantiu que não havia razões para alarme, que a equipa ia subir de produção, etc, etc. Estava enganado, completamente enganado, a menos que, tal como a crise financeira, a melhoria só esteja prevista para 2009 ou mesmo 2010! Perante as evidências, sejamos realistas, o pouco crédito que ainda lhe restava junto dos adeptos... acabou. Por mais optimistas e patriotas que todos queiramos ser, é difícil acreditar que esta Selecção vai, de repente, descobrir a cura para os seus males (são tantos que já não se percebe qual deve ser atacado em primeiro lugar) e desatar a ganhar "finais" umas atrás das outras até garantir o bilhete para a África do Sul.

O jogo de Brasília confirmou, por exemplo, que a insistência em Paulo Ferreira como lateral-esquerdo é um erro; que começar jogos sem verdadeiros pontas de lança só por casualidade pode funcionar; que Cristiano Ronaldo pode ser o melhor jogador do Mundo mas não é um líder dentro do campo; que o extremo do Manchester United só em situações de recurso deve ser utilizado entre os centrais contrários; que Ricardo Carvalho faz muita falta ou que alguns futebolistas, pese as boas exibições nos seus clubes, raramente acertam na Selecção.

Defendi, sem reservas, que Queiroz era uma boa aposta para comandar a Selecção. Mas, nesta altura, assumo estar também com dúvidas. Não coloco em causa o profissionalismo e a dedicação do Professor - que há muitos anos tive oportunidade de testemunhar de perto -, mas está à vista de todos que o problema não é só sofrer golos patéticos. A equipa não funciona, a mensagem não passa, o futebol praticado não nos leva a lado nenhum. E como sucede com todos os outros treinadores, também este tem de responder pelos resultados. E como eles têm passado de maus a horríveis, parece-me claro que, a 28 de Março próximo, aquando do confronto caseiro com a Suécia, estará em causa não só a permanência de Portugal na corrida pelo Mundial, mas também outra continuidade...

PS - Tal como previ na edição impressa de Record, a chamada de César Peixoto não significou uma nova aposta do seleccionador. A esse propósito, já agora, Queiroz quis testar o quê ao mandá-lo entrar aos 86 minutos? Será que só nessa altura percebeu que o lateral-esquerdo "não existia"?

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