Selecção nos pés de Ronaldo
Depois das incidências da última jornada, creio que a maioria dos adeptos gostaria que a Liga não parasse no próximo fim-de-semana. Benfiquistas e sportinguistas, moralizados com as vitórias recentes, até apreciariam jogar já hoje ou amanhã, enquanto os portistas, desejosos de esquecer o deslize caseiro com os leões, sonham com o ressurgimento azul quanto antes. Bem vistas as coisas, acredito que só os treinadores respiram de alívio com a paragem. Sempre dá para preparar melhor a ponta final da prova, bem como para recuperar fisicamente algumas das pedras fulcrais. Enfim, esperemos uns dias...
A interrupção no Campeonato deve-se aos compromissos da Selecção. Está de volta a fase de qualificação para o Euro'2008. E basta espreitar a classificação da "poule" para se perceber que a situação lusa não está fácil. Desta vez, para tornar o caso ainda mais sério, não há nenhum confronto com "refrescos". Bélgica (em casa) e Sérvia (fora) são adversários de respeito, ambos capazes de enganar a formação de Scolari caso a atitude e a inspiração não sejam as indicadas. Lembram-se da Polónia? Pois, convém ter isso bem presente. Ao contrário do que sustenta muita gente, defendo que se devem recordar sempre os tropeções. É a melhor maneira de os evitar.
Sem Deco e Simão (no primeiro embate) - já para não falar das ex-referências Figo e Pauleta ou dos "noctívagos" Maniche e Costinha -, penso não ser exagero dizer que o desfecho caseiro com a Bélgica vai estar muito dependente da prestação de Cristiano Ronaldo, indiscutivelmente o líder da equipa. Aceito que outros elementos podem fazer a diferença, com destaque para Petit (está em grande forma e com a confiança a transbordar após a marcação de 3 golos numa semana), Quaresma (deve ser titular no primeiro jogo), Tiago (tem sido figura no Lyon e volta a ter espaço para brilhar na Selecção), Nani (em grande no Dragão) ou o ponta-de-lança escolhido (Nuno Gomes, mesmo longe da forma ideial, deve ser o eleito perente a concorrência de um ofuscado Postiga ou de um pouco utilizado - a este nível - Hugo Almeida). Mas, em definitivo, esta vai ser a Selecção de Ronaldo. Com a Bélgica e com a Sérvia.
Jogando parecido com aquilo que está a fazer em Inglaterra - onde se exibe como um dos melhores futebolistas mundiais da actualidade -, o prodígio madeirense vai ter oportunidade de "empurrar" a Selecção para o Europeu. Se o seu talento chega para manter o Manchester United em três frentes ("Champions", "Premier League" e Taça de Inglaterra), também poderá ser suficiente para ultrapassar os dois obstáculos.
Caso Nuno Gomes não seja titular, Ronaldo será o líder em todos os sentidos, pois é garantido que ostentará igualmente a braçadeira de capitão. Embora jovem, com idade em que muitas estrelas ainda não se estrearam nas suas principais selecções, o endiabrado produto da formação leonina prepara-se para, de uma vez por todas, assumir aquilo que Scolari há muito lhe destinara: a liderança de uma das mais fortes selecções do Mundo. A nossa.
