Sem limites para a ambição
Há 60 anos, após o último apito do Inglaterra-Portugal que tirou a Seleção Nacional da final do Mundial de 1966, as lágrimas de Eusébio serviram de testamento para a ambição que nos deve sempre servir de guia: o Pantera Negra e os Magriços não foram a Inglaterra para ficarem felizes com menos do que tudo.
Seis décadas depois não podia ser diferente: sim, Portugal vai estar no Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México com a esperança no máximo. Porque não devemos, nem podemos, traçar limites à ambição quando há talento e qualidade nos jogadores, competência e rigor na equipa técnica, profissionalismo e qualificação na estrutura da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que os apoia.
No lote de convocados para o Mundial, que arranca esta quinta-feira, há campeões de Portugal, França, Espanha e Arábia Saudita. Há quatro jogadores que acabaram de vencer a Liga dos Campeões pelo Paris Saint-Germain pela segunda vez consecutiva. Há o melhor futebolista da história. Há 27 jogadores habituados a jogar ao mais alto nível. Habituados a jogar sempre para ganhar. Numa palavra, há talento.
E como o talento precisa de suporte, a Federação Portuguesa de Futebol tratou de acrescentar-lhe ainda mais rigor e profissionalismo, com o recrutamento de Óscar Tojo, como Diretor Técnico Nacional, e Lourenço Coelho, para a função de Diretor-Executivo para as Seleções.
Depois há o 12.º jogador, a força, energia e crença dos portugueses que a Seleção Nacional une no território nacional e por todo o Mundo como símbolo ímpar da portugalidade. A pensar neles e na importância que o seu apoio terá, a FPF desenhou o maior programa de ativações de sempre, unindo os dois lados do Atlântico durante o maior evento desportivo do planeta.
Das ruas de Nova Iorque ao interior de Portugal, passando pelas cidades anfitriãs dos jogos, esta será uma afirmação do País enquanto potência desportiva internacional, mas também como destino e cultura, numa interseção única de futebol e identidade nacional.
Nos Estados Unidos, o epicentro desta iniciativa será a Portugal House, instalada no Time Out Market, em Brooklyn, Nova Iorque, entre 10 de junho e 19 de julho. Em território nacional, a iniciativa Pintar Portugal, que une a FPF às autarquias, criará uma rede de fan zones oficiais para apoio à Seleção Nacional e transmissão dos jogos do Mundial em direto, para que todos juntos possamos celebrar a paixão que nos une enquanto portugueses.
Há um ano, Portugal celebrava a conquista da Liga das Nações, após um triunfo sobre a Espanha. Numa final four disputada entre a elite do futebol europeu, a Seleção Nacional impôs-se à anfitriã Alemanha por 2-1 na meia-final antes de vencer a Espanha na final. Não se vencem dois antigos campeões do Mundo todos os dias, nem é possível fazê-lo por acaso. E se não há dois torneios iguais, sabemos hoje que Portugal é olhado pelos crónicos favoritos à conquista dos grandes títulos internacionais com um respeito que fez por merecer e que deve a si próprio.
Mas a conquista da Liga das Nações foi apenas um capítulo numa história de sucesso escrita ao longo dos últimos 14 meses. Para os registos ficarão os seis títulos internacionais em oito finais alcançadas, sucessos das seleções nacionais no futebol, futsal, futebol de praia, masculino e feminino. Triunfos que não chegaram por acaso. São reflexo de um processo pensado, sustentado e ambicioso, que aproveita da melhor forma o trabalho dos clubes, associações distritais e regionais, associações de classe e futebol profissional, que, em conjunto com a Direção Técnica Nacional, resulta numa nova cultura de vitória que se estende dos escalões de base até à elite.
Porque sabemos que o sucesso dentro de campo começa a construir-se fora dele. E é com base nesse inegável pressuposto que o orçamento para 2026/2027, aprovado há poucos dias em Assembleia Geral pelos sócios da Federação Portuguesa de Futebol, contempla a necessidade de garantir o desenvolvimento sustentado e equilibrado de toda a comunidade do futebol, permitindo-nos, em conjunto, olhar para o futuro com o mesmo otimismo e, acima de tudo, com a mesma ambição.
E porque falamos de elite, importa ainda sublinhar a chamada de João Pinheiro ao lote de árbitros convocados pela FIFA para o Mundial como sinal do reconhecimento crescente da qualidade da arbitragem portuguesa no panorama internacional.
Motivos de sobra para olharmos sem arrogância, mas com muito otimismo, para o futuro. Sabemos que um dos segredos para o sucesso é a confiança e que um dos ingredientes chave para a confiança é a preparação. A Federação Portuguesa de Futebol e a Seleção Nacional estão preparadas para o futuro. O mais próximo passa pelo Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México e é com a ambição que nasce do trabalho estruturado que reafirmamos a convicção de que “vai dar Portugal!”
