Sem medo

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Sem medo
Sem medo

A partir de agora, a Seleção Nacional não tem mais margem para cometer erros. Terminou o tempo de experiências e há que retificar as falhas que foram visíveis nos dois jogos de preparação. No sábado, frente à Alemanha, Portugal iniciará a sua participação no Euro’2012, sabendo que os erros e desatenções defensivos, assim como a falta de eficácia no ataque, podem ser fatais. Mas há bons motivos para acreditar.

Diz-me a experiência que nesta última semana de trabalho, antes do arranque da competição, o selecionador nacional estará certamente focado na correção de erros e afinação da tática, mas também na motivação dos seus jogadores. Acima de tudo, estará apostado em transmitir a sua confiança nas capacidades da equipa, nos objetivos do grupo e na superação do adversário.

A levar em linha de conta o que diz a imprensa germânica: “Estes portugueses não nos metem medo”, temos aqui uma oportunidade única de mostrar aos alemães que a sobranceria paga-se caro. Portugal tem talento mais do que o necessário para jogar olhos nos olhos com qualquer equipa. E acredito que frases como estas serão aproveitadas por Paulo Bento para motivar o grupo, porque tocam no orgulho dos jogadores e fomentam ainda mais a determinação destes em provar o seu valor e vencer a Alemanha.

Em termos de orientação técnica, do meu ponto de vista, o dia do primeiro jogo será o menos importante. Isto porque, no caminho percorrido até lá, será suposto que todo o trabalho de preparação e motivação já tenha sido feito junto dos jogadores. Aquela é a ocasião em que a prestação e talento individual de cada jogador têm de aparecer e funcionar em pleno ao serviço da equipa.

Nesse dia de jogo inaugural, a partir do momento em que acordam, logo pela manhã, os jogadores sabem que têm uma grande empreitada pela frente. Estão cientes de que o momento exige concentração e empenho máximo para interiorizarem que vão entrar em campo apenas com a vitória no pensamento.

É óbvio que existe sempre um “nervoso miudinho” nos minutos iniciais, mas este combate-se com descontração e inteligência. E é algo com que qualquer jogador internacional português, habituado aos grandes palcos, sabe lidar. Estar com o sistema nervoso despertado até acaba por ser um indício positivo. É sinal de que os atletas têm grande sentido de responsabilidade. Cabe-lhes focarem-se no contributo que podem dar à nossa equipa para que esta se consiga superar e obter grandes vitórias.

O jogo com a Alemanha será, por isso, muito importante. Neste tipo de competições, quando se vence o primeiro jogo, a qualificação para os quartos-de-final normalmente fica mais perto. Isto porque se gera uma grande onda de confiança entre jogadores e adeptos, aumentando os índices de motivação e levando a que as coisas saiam melhor dentro de campo.

A vontade de vencer é determinante e define tudo: momentos de glória ou de tristeza. Mas é a capacidade e inspiração do todo, e não apenas de uma parte (não podemos esperar que seja Cristiano Ronaldo ou outro qualquer a fazer tudo sozinho, nem eles podem pensar de tal forma), que faz com que as coisas resultem. Se conseguirmos criar esta simbiose entre os jogadores nacionais, isso significará que estaremos mais perto de ganhar e que poderemos ir longe.

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