Sem orçamento

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Em 2011, Portugal vai ter mais Orçamento do que Estado. Menos pensões e salários, mais impostos, taxas, deduções, atribulações... Tirando as magníficas exibições na Champions de Ronaldo, do Braga e de Mourinho (e de Pedro Proença), são estas as notícias dos últimos dias, que têm consumido as energias dos contribuintes que daqui a dez semanas passarão a ganhar menos dinheiro. E o resto? Há tempo para o desporto quando se está em crise?

Há, mas pouco. Nas centenas de páginas da proposta do Governo para o Orçamento de 2011 está, por um junto, uma página para o desporto. Lista alguns objetivos banais (“desenvolver o desporto e generalizar a sua prática”, etc.) e pretende avaliar o “modelo de financiamento do sistema”, o que normalmente quer dizer baixar o orçamento ou pôr outros a pagá-lo Depois, há medidas como o programa de Marcha e Corrida, formação de treinadores e criação da Carta Desportiva Nacional. Quanto a investimento, há pouco e basicamente formaliza duas apostas: a rede dos centros de Alto Rendimento (2,1 milhões de euros) e o Projeto Olímpico Londres 2012 (4,2 milhões). São dois projetos a cargo do Instituto do Desporto de Portugal (que terá um orçamento de 72 milhões de euros, menos dois milhões que em 2010), sendo totalmente suportado por receitas gerais do Estado.

Há portanto menos dinheiro para investir e para “funcionar”. Do lado dos impostos, as mensalidades dos ginásios sobem para a taxa máxima do IVA, uma correção do erro que foi a descida há dois anos para a taxa mínima – que muitos ginásios não passaram para os clientes, apropriando-se das margens.

É muito pouco. Um País em crise corta no desporto, na cultura, na ciência como se fossem “gastos supérfluos”. Não há dinheiro, não há palhaços. Só palhaçadas.

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