Semana infernal
Todos sabemos que o jogo desta noite está longe de ser um passeio para o Benfica, mas é o grande clássico de domingo que já prende toda a ansiedade dos adeptos.
Porém, há uma analogia clara entre o que se passou com o Benfica exatamente em Lyon e aquilo que os encarnados têm de evitar na viagem ao Dragão. Em França, o meio-campo do Benfica desapareceu na pressão que o adversário conseguiu ainda no terreno da defesa encarnada. É certo que, no futebol de hoje, ninguém pressiona tanto e tão forte como as equipas de topo francesas.
Em nenhuma liga o terreno de jogo se apresenta tão curto e cheio de choques como na francesa. Mas também é certo que a equipa portuguesa mais coesa na hora de lançar a caça à bola, qual alcateia de jovens lobos (já não usava esta metáfora desde os tempos de Mourinho...), é este FC Porto. Assim, o naufrágio que o Benfica sofreu no terreno do adversário de hoje à noite é lição que deve estar presente nas palavras e estratégia de Jesus para os dois grandes jogos da semana.
Só há uma forma de sair da pressão bem interpretada coletivamente sobre o centro do terreno: ter médios que não temem receber a bola de costas para a baliza contrária (o que não é muito comum, pois de outro modo o futebol estaria cheio de bons pontas-de-lança) e conseguir uma boa circulação até aos flancos.
Ora, é nos flancos que este Benfica mais deixa a desejar, na comparação com a exaltante colheita de 2009.
Por isso os benfiquistas não devem estar otimistas nesta semana tão especial.
Principalmente frente a um FC Porto com este super-Hulk, o êxito de Jorge Jesus e seus atletas afigura-se quase impossível.
Mas é neste “quase” que está o maior sortilégio do futebol. Onde os mais fracos tantas vezes ainda batem os mais fortes.
