Sentimentos de leão

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Ainda vamos na 4.ª jornada e o futuro de Sá Pinto, como técnico do Sporting, ainda que entre bastidores, já começa a ser posto em equação no reino do leão. Face a uma série de resultados menos positivos, logo se levantou a desconfiança e o descrédito. Ao longo das semanas vemos um treinador isolado e uma direção da SAD em silêncio. Mas será mesmo assim? Seja como for, acredito que Sá Pinto conseguirá dar a volta por cima.

Sá Pinto pegou na equipa a meio da época transata e incutiu as suas ideias e filosofia de jogo. O Sporting subiu de rendimento e por pouco não conseguiu a qualificação para a pré-eliminatória da Champions. Mantendo a base do plantel do ano anterior e contando com mais 4 ou 5 reforços de qualidade, são naturais as perspetivas de partir para esta temporada com sólidas esperanças de fazer mais e melhor.

Contudo, o arranque não foi o esperado, as exibições foram pobres e Sá Pinto foi obrigado a defender-se com unhas e dentes das críticas. Terminou o seu estado de graça e rapidamente se levantou o fantasma da saída. No meu entender, injustamente. É bom não esquecer que esta é a sua primeira experiência como treinador principal de uma equipa profissional. É um técnico jovem com valor, que sente o leão como poucos e atravessa, naturalmente, uma fase de aprendizagem.

Quando chegou ao Sporting, Sá Pinto sabia que era preciso conquistar os pontos que vinham a escapar. Não é de estranhar que então tivesse optado por uma abordagem mais conservadora em busca de um maior equilíbrio tático. Mas o treinador sabe que, em Portugal, onde a maioria das equipas joga para não perder, um clube grande tem de ter postura ofensiva. O próprio falou na necessidade de “humildade para corrigir” e, como se viu contra o Gil Vicente, tem recursos para tornar o Sporting numa máquina atacante. Reconhecer os erros e melhorar é, já de si, uma grande qualidade.

Enquanto o técnico dá o peito às balas, a SAD leonina mantém-se em silêncio. Acaba por ser uma faca de dois gumes. Por um lado, é uma prova de confiança e tenta preservar a harmonia e estabilidade do clube. Por outro, as supostas tensões no balneário, as críticas ao não aproveitamento de jogadores importantes e os rumores de que a direção já pensa na mudança de treinador acabam por não ser rebatidas.

Os próximos três jogos do Sporting (Estoril, Videoton e FC Porto) acabarão por desfazer todas as dúvidas e vão permitir constatar se esta “pressão invisível” que anda em redor do treinador é real ou não passa de uma mera campanha de alguns Velhos do Restelo.

Nota: Uma prezada leitora deste jornal teve o meritoso cuidado de obter e enviar uma cópia da certidão de óbito do meu pai. Serviu o ato para provar que a data do ocorrido não corresponde ao dia do jogo entre o Sporting e o Dínamo Zagreb, como eu tinha referido na crónica anterior. Repondo a verdade, tal não sucedeu. Aquela partida ficou-me intimamente ligada ao trágico sucedimento que ocorreu dias mais tarde, já que, horas antes do jogo, as notícias do internamento urgente eram as piores possíveis. Por lapso de memória, o tempo levou-me a associar os dois acontecimentos. A crónica da semana passada serviu para elogiar o brio e profissionalismo do jogador Lucho González. Não foi um exibicionismo meu e muito menos uma demonstração de vaidade do meu passado como futebolista.

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