Membros demissionários do Conselho Directivo (Jorge Sanches, Luís Loureiro e Rita Matos) escrevem artigo de opinião

Ser presidente de um clube "é chato"

1. Um presidente que, de um momento para o outro, atraiçoe todos à sua volta que tanto lutaram por um projecto digno para o clube e contribuíram para essa missão sem qualquer benefício pessoal, não deve ser presidente.

2. Um presidente que se revele inesperadamente um déspota, que não seja capaz de admitir uma opinião divergente da sua e que corra o risco de ser percepcionado publicamente como alguém que procura apropriar-se do clube para garantir um projecto pessoal de poder, não deve ser presidente.

3. Um presidente que deixe de considerar limites éticos, civilizacionais, de respeito pelas pessoas – valores fundamentais de qualquer instituição prestigiada, não deve ser presidente.

4. Um presidente que se lembre de destruir a base de um modelo de negócio assente no futebol profissional apenas para afirmar a sua personalidade autoritária e vingativa, não deve ser presidente.

5. Um presidente que passe a usar um discurso beligerante para desagregar em vez de agregar, dividir antes de unir, afastar ao invés de atrair e que desrespeite todas as instituições de uma sociedade democrática, não deve ser presidente.

6. Um presidente que só encontre mérito em si próprio não deve ser presidente.

7. Um presidente que julgue que ofender associados, atletas, dirigentes, funcionários e adeptos , pelo simples facto de dele discordarem, é a melhor maneira de criar ondas de violência e ostracização na opinião pública para silenciar certas ‘vozes’, não deve ser presidente.

8. Um presidente que possa perder o apoio e a confiança de 85% dos dirigentes que integrarem as suas listas aos órgãos sociais e não retire daí nenhuma ilacção não deve ser presidente.

9. Um presidente que num momento de crise, sabendo que a sua permanência em funções possa implicar pedidos de rescisões financeiramente gravosos para a instituição, não coloque os interesses do clube em primeiro lugar, não deve ser presidente.

10. Um presidente que esteja convencido de que no desporto não há perdão para atletas que não ganhem todos os jogos devendo ser escorraçados via mensagem ou Facebook como metodologia infalível para assegurar futuras vitórias, não deve ser presidente.

11. Um presidente que no início do seu mandato se arrogue como um defensor acérrimo da verdade e, progressivamente, se transforme numa pessoa que a ignora, manipulando factos e acontecimentos, não deve ser presidente.

12. Um presidente que use os mecanismos de contra-informação operados nas redes sociais não para defender o clube da propaganda dos rivais mas para atacar associados do próprio clube que pensam de maneira diferente, não deve ser presidente.

13. Um presidente que tenha a soberba de considerar que um numeroso exército de fazedores de opinião nas redes sociais é suficiente para criar a ilusão de que os sócios possam estar divididos quanto à sua aceitação quando, na realidade, estão esmagadoramente contra ele, não deve ser presidente.

14. Um presidente que afronte, desconsidere e ofenda profissionais de órgãos de comunicação social num país livre não deve ser presidente.

15. Um presidente que transforme cada intervenção pública num espectáculo degradante que possa contribuir para continuar a denegrir a reputação de uma instituição a nível nacional e internacional e a ser motivo de escárnio para os rivais, não deve ser presidente.

Ser presidente de um clube "é chato".

O texto foi redigido em total desacordo ortográfico. Por ordem alfabética*:

Jorge Sanches, Luís Loureiro, Rita Matos

*Sócios do SCP com um total de 133 anos de quotas pagas, dois deles cinquentenários - membros demissionários do Conselho Directivo


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