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Será preciso gritar tanto?
Custa ver que o fanatismo grassa por todas as raças, credos e classes sociais...
Não há jogo de Benfica, FC Porto ou Sporting que hoje não acabe com os adeptos dos clubes contrários a vociferarem com as decisões de arbitragem. A cada erro é levantada a teoria do colinho em relação aos encarnados, relembrado o Apito Dourado aos dragões e a quem sofre pelo leão atirado à cara que para quem tanto chora, também há erros a favor. É uma onda de indignação automática que varre as redes sociais e ao longo da semana se espalha pelos programas de comentadores filiados, que mais não fazem do que defender a verdade a que temos direito, mesmo que seja outra completamente diferente a que nos entra pelos olhos dentro.
Éverdade que o futebol desperta paixões assolapadas. Mas custa ver que o fanatismo grassa por todas as raças, credos e classes sociais, como se de um vírus incurável se tratasse. Percebo a discussão. Gosto, muito mesmo, da troca de argumentos. Entendo até que alguns lances para uns sejam penálti e outros não. É da natureza humana e faz parte da beleza do futebol. Mas custa-me assistir à falta de nível de alguns debates e é impossível aceitar que gente crescida escreva autênticas barbaridades nos facebooks desta vida por causa de um jogo. Sim, há energúmenos que se matam por causa disto, mas não é desses que falo. É de gente normal, que se transfigura após a vitória ou derrota do seu clube. E para quê?
A falência do Apito Dourado deu uma machadada grande na credibilidade do futebol português. Para uns, Pinto da Costa será sempre culpado. Para outros, Vieira é o novo Pinto da Costa. E para os que sobram, Bruno de Carvalho quer ser, também ele, Pinto da Costa. É o resultado da falência das instituições que regem o futebol. É preciso muito amor para continuar a gostar disto. E é pena.
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Cláudio Saúde04 novembro 2026 - 18:03