Banho tático

Vítor Pinto
Vítor Pinto Subdiretor

Sérgio já parte à frente

A batalha das expectativas foi dada como perdida ainda Sérgio Conceição não tinha começado a trabalhar no Olival. Não foi primeira escolha, não teve direito a reforços, tem zero títulos conquistados e nunca assumiu o comando de um clube com a dimensão do FC Porto. Em suma, houve quem, desvalorizando a sua fibra e a evolução que teve como técnico, o reduzisse ao estatuto de mero candidato ao cemitério de treinadores do Dragão. Nesse campeonato, Sérgio já parte à frente. Literalmente. A pressão alta que estruturou está a ser o ponto tático fulcral de uma pré-temporada promissora, onde surpreende a coesão de um plantel que arrasta sobre os ombros o peso de quatro anos a perder. Conceição tem ideias claras, propõe um processo simples e eficiente, e nesse ponto, dentro de uma linha de exaltação dos valores do clube, chega mais facilmente aos jogadores do que Nuno Espírito Santo. A aposta de Pinto da Costa dá confiança ao grupo e prefere a evolução à rutura,valorizando o que foi feito na época passada e nunca se queixando de falta de qualidade à sua disposição.

Se Rui Vitória está obrigado a fazer história ao conquistar um inédito penta, é inconcebível imaginar o Sporting de Jorge Jesus sem festa do título, sobretudo depois dos nomes de perfil elevado que Bruno de Carvalho tem contratado. Era fácil para Sérgio Conceição baixar a fasquia, mas é precisamente pela via da motivação que pretende sustentar o seu modelo de jogo agressivo. O objetivo único é ser campeão e essa meta depende de o balneário acreditar que pode concluir com êxito a trajetória de retoma que, na época passada, prolongou a incerteza até perto do termo da 1.ª Liga. Pelo que se viu no México, com continuidade no ensaio em Guimarães, quem confundiu falta de reforços com ausência de valor está a ter um choque com a aparição deste novo FC Porto que, afinal, demonstra capacidade para olhar os rivais nos olhos.

Em França, a filosofia implementada por Conceição no Nantes levou a que fossem recorrentes as comparações com o At. Madrid de Diego Simeone. A subida da linha de pressão foi rapidamente interiorizada na Invicta e impressiona o volume de lances de perigo que são criados a partir de recuperações de bola em zonas adiantadas do terreno. Ricardo Pereira e Aboubakar são os regressados que têm entrada direta no onze e não se percebe uma quebra de potencial desportivo resultante das vendas de André Silva e Rúben Neves. Costuma dizer-se que a temporada é longa mas, para Sérgio Conceição, a ansiedade centra-se mesmo nas semanas que faltam até 31 de agosto. A máquina tem as peças quase todas encaixadas para um arranque em força e seria terrível a perda de trunfos que ainda vão sentir a pressão do mercado, como Ricardo Pereira, Danilo, Aboubakar e até Marcano. O treinador, que prefere permanências a contratações, já lançou esse alerta e não pode ser traído pela SAD.

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