Seria um sonho!
Esta semana iniciou-se mais uma fase de grupos da Liga dos Campeões. Na competição de clubes mais importante do Mundo é incrível como pela quarta vez Portugal voltou a colocar três equipas nesta fase. Países como, por exemplo, Itália, em que o futebol é uma religião, e com a qual nunca poderemos competir a nível económico ou até em termos de população, só conseguiu colocar duas equipas na competição deste ano.
Foram elas a Juventus e a Roma, mas, equipas multimilionárias como o Milan, Inter, Nápoles, entre outras, ficaram de fora. Para mim, como português, é um grande orgulho ver os nossos três grandes clubes a competirem ao mais alto nível às terças e quartas-feiras. Como ex-profissional de futebol tive o privilégio de jogar nos três e fico sempre a sofrer por eles quando jogam nas competições europeias. O Sporting porque foi a minha mãe e pai para o futebol, o Benfica, pelo orgulho tremendo que foi vestir a camisola deste grande clube, e o FC Porto, por tudo o que vivi naqueles maravilhosos três anos de máximos êxitos.
Sem dúvida que um dos grandes sonhos para qualquer profissional do desporto rei é jogar um dia na Liga dos Campeões e hoje, quatro dias depois do jogo do Sporting na Eslovénia, continuo a pensar em Sarr e Maurício. O sonho que eles perseguiam durante toda a sua vida tinha sido concretizado. Fizeram a estreia no palco máximo das competições europeias. Tudo parecia maravilhoso, o Sporting estava a fazer um bom jogo, ganhava por 1-0, com um grande golo de Nani aos 80 minutos e, já nos descontos, o Maribor empata num lance surreal.
O sonho perfeito que estes dois jogadores estavam a viver tornou-se num autêntico pesadelo. O erro estúpido que os dois cometeram naquela jogada vai marcá-los para toda a vida. Em idioma de balneário e como sempre dizemos: “Nem de propósito conseguias fazer aquilo.” Como estive muitos anos dentro de um campo de futebol sei que estes erros anormais só não acontecem a quem não está dentro do campo e assim aproveito estas linhas para dar a minha máxima força ao Maurício e ao Sarr.
O Benfica, por sua vez, acabou por perder 2-0 em casa frente ao Zenit. Mas aconteceu algo único e histórico no futebol português. Tenho 48 anos e não me recordo de ter assistido a algo parecido em Portugal como o que vi na última terça-feira no Estádio da Luz depois de uma derrota. Os cânticos e as palmas dos adeptos do Benfica no final do encontro aos jogadores e equipa técnica foram algo único e de arrepiar. Como este gesto fantástico dos sócios do Benfica só tinha visto em algumas equipas inglesas ou em Espanha no meu Atlético Madrid. Parabéns ao mundo benfiquista.
Esta semana fui até Granada passar dois dias com o meu grande amigo de longa data Enrique Pina, presidente do Granada. Dizia-me o triste que estava por ter vendido Brahimi ao FC Porto. Melhor que ninguém ele conhecia o valor deste craque e sabia que ele iria um dia valer 40 milhões. Depois dos três golos que o argelino fez na última quarta-feira ao BATE Borisov, no Estádio do Dragão, acredita que já valerá esse preço, mas sabe que era impossível segurá-lo. O Granada, infelizmente como todas as equipas portuguesas, tem de vender os seus melhores jogadores para poder sobreviver. Ainda assim, o Granada é um talismã para as equipas portuguesas. Os jogadores que vieram da equipa granadina para Portugal têm sido ouro como foi o Siqueira e é agora o Brahimi.
Esta primeira jornada da fase de grupos teve três sabores diferentes: o empate do Sporting, a derrota do Benfica e a vitória do FC Porto. Faltam cinco jogos por disputar, muitos pontos e tenho fé que podemos fazer história e colocar as três equipas portuguesas pela primeira vez nos “oitavos”.
GRANDE CALDEIRADA
Triste polémica
Ao assistir às declarações entre o Jorge Jesus e o José Mourinho fiquei triste. Adoro polémica mas a polémica que defendo é sempre contra os estrangeiros. Entre portugueses para mim não faz sentido, não é bom e não devia nunca existir. São ambos meus amigos, grandes treinadores, dos melhores do Mundo, e são pessoas como eles que nos orgulham por levarem o nosso Portugal tão longe. Sei que foi um caso único esta “discussão” e que certamente não voltará a acontecer, pois para existir polémica que seja sempre contra os de fora e nunca entre nós.
NÓS LÁ FORA
Grande Nuno
Duas vitórias e um empate bastaram ao Nuno Espírito Santo para convencer os exigentes adeptos do Valencia. Depois de um ano péssimo em que não conseguiram ir às competições europeias a ilusão voltou a aparecer no Estádio Mestalla com o técnico português. Contrataram muito bem e o Nuno já demonstrou estar superpreparado para este desafio. Têm a vantagem de só jogarem em competições internas este ano e por isso mesmo, cuidado com a equipa ché.
DO MEU ÁLBUM
Não é pecado
Depois dos 6-0 com que o FC Porto venceu ao BATE Borisov, na última quarta-feira, andei 27 anos para trás e recordei a vitória na primeira eliminatória frente a uma modesta equipa de Malta, Rabat Ajax, por 9-0. Quem diria que uns meses depois aquela equipa já histórica do FC Porto ganharia a Taça dos Campeões Europeus? Não éramos favoritos, ninguém apostava em nós mas conseguimos contra tudo e todos aquele êxito histórico. Por que não acontecer o mesmo este ano com uma das três equipas portuguesas? Sonhar não é pecado.
