Silêncio de ouro

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A agitação em Alvalade e no Dragão, que têm às portas um engarrafamento de estrelas, contrasta com a calma que se vive na Luz. Confortavelmente apoiado num bicampeonato e, por isso, sem nenhuma "pressão extra" na próxima edição da Liga, o Benfica está longe de entrar em pânico com as contratações dos dois principais rivais. Por enquanto, apenas saiu um titular da equipa da época passada (Maxi Pereira), a que se junta a marcante perda de Jorge Jesus, um treinador que tinha bem gravado o seu cunho após seis anos de empatia, um mérito da chamada "estrutura" que não deve ser menosprezado.

Por isso, e apesar de Imbula, Casillas e Bryan Ruiz, e de todos os outros nomes que estão perto de ser contratados por FC Porto e Sporting, este Benfica está longe de ser um coitadinho nas contas do título. Rui Vitória já disse que quer manter as (muitas) coisas boas que Jorge Jesus deixou na equipa. Se o conseguir, e mesmo com a praticamente certa saída de Gaitán, ficará com uma equipa de muita qualidade e, acima de tudo, muito experiente, rotinada e conhecedora da realidade do futebol português. O que poderá ser um enorme vantagem, sobretudo no arranque da temporada.

A Rui Vitória faltam os "sound bites" de Jesus, muitas vezes amplificados devido ao estilo do agora técnico do Sporting, mas isso não é um critério de avaliação de competências. O treinador natural de Alverca não tem quem glorifique a sua dedicação à causa, nem as horas que dedica aos clubes onde trabalha, nem a extrema atenção que dedica aos pormenores técnicos e táticos. O mais certo é que não precise disso. Até porque, para já, o silêncio à volta do novo Benfica é o melhor aliado que pode ter. A qualidade do jogo e, acima de tudo, os resultados lá virão para o avaliar.

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