Silêncio que não é inocente
O "nosso" Europeu já acabou. Infelizmente. Mas, enquanto muitas pessoas se concentram em tentar descobrir quem vai ser o sucessor de Scolari (apenas desejo que seja alguém que privilegie o treino em todas as suas componentes, em detrimento das rezas, superstições e glorificação dos símbolos "pimbas" da nação) faço questão de não deixar passar em claro a chegada da Selecção a Lisboa. Não era possível ter um pouco mais de classe, respeito e organização?
Entendo que os jogadores se sentissem com pouca vontade de falar com os jornalistas ou tirar fotografias com os adeptos. Acredito que, para além de cansados, também eles não ficaram agradados com a prematura saída de cena do Europeu. Mas, convenhamos, não custava nada serem um pouco mais comunicativos com aqueles que, mesmo sem razão aparente, fizeram questão de ir à Portela aplaudir quem, independentemente dos resultados, representou uma nação com mais de 10 milhões de pessoas.
Foi preciso Scolari encenar mais uma cena de cariz patriótico (se calhar a última antes de voltar a ser só um brasileiro profissional de futebol) para que a rapaziada saísse do autocarro e, num instantinho, mostrasse algum respeito por quem, jogo após jogo, sofre com a Selecção, acreditando até ao limite do razoável que é desta que vamos deixar de ser eternos candidatos a vencer algo "em grande".
Não me parece lógico que alguns jogadores não tenham seguido no autocarro oficial até ao hotel em Oeiras. Será que não podia perder mais 30 ou 40 minutos? Estariam assim tão em cima do horário para ir de férias? Espero que não, visto que as agendas pessoais deviam ter sido feitas a pensar num retorno a Lisboa apenas no final do mês...
E quanto a declarações, somente Miguel e Nani se fizeram ouvir no Aeroporto. Será que mais ninguém tinha nada a dizer? Duvido! É que assim de repente lembro-me que, já na véspera, faltaram os comentários de alguns elementos fulcrais na eliminação diante da Alemanha.
Mais do que passar a vida a ver "profetas da desgraça" em todas as esquinas; mais do que questionar a opinião de terceiros (jornalistas ou não); alguns futebolistas deviam aprender a dar a cara nos maus momentos. É fácil aparecer a sorrir quando somos heróis, mas custa muito admitir os erros.
Aquando do afastamento da Rep. Checa do Europeu, Petr Cech - senão o melhor guardião do planeta, um dos melhores - foi o primeiro a assumir a responsabilidade do fracasso. "Vamos para casa porque eu cometi um deslize", disse o homem do Chelsea, mostrando que não é apenas grande quando brilha. Mais: Cech fez questão de afirmar que só queria ter oportunidade de, quanto antes, voltar a defender a baliza do seu país para poder merecer o perdão dos adeptos.
Lembro-me bem de um filme chamado "Silêncio dos Inocentes". Gostei imenso de o ver. Mas, neste "filme" do Europeu, que para nós acabou bem antes do previsto, o silêncio não é nada inocente...
PS - Portugal deu um "banho" à Turquia e a Croácia fez o que quis da Alemanha na primeira fase do Europeu. Curiosamente, nas meias-finais, turcos e germânicos vão decidir quem irá marcar presença no jogo do título em Viena. Cada vez estou mais certo que perdemos uma oportunidade de ouro. A segunda em 4 anos...
