Só não muda quem não quer
Um dos temas mais polémicos do futebol português dos últimos anos, sem dúvida alguma, é a questão de os jogadores emprestados poderem ou não jogar contra as suas equipas de origem. Sempre que um "grande" joga contra uma equipa que tenha jogadores cedidos surge a confusão.
Este ano aconteceu inúmeras vezes, e o último caso foi há 15 dias, no Belenenses-Benfica, em que o Rui Fonte, ponta-de-lança emprestado pelos encarnados, foi impedido de jogar. Aconteceu o mesmo no Nacional-FC Porto e tantos mais. Muita gente diz que isto tem de acabar e que é essencial para dar credibilidade ao futebol português. O próprio treinador do Belenenses, Jorge Simão, afirmou na conferencia de imprensa de antevisão deste jogo que "o bom senso aconselhou a não convocar Rui Fonte", pois parte substancial do salário era paga pelo Benfica, este tinha mais três anos de contrato com o clube-mãe e o objetivo da decisão era, no fundo, proteger o jogador de qualquer acontecimento que pudesse tornar-se suspeito. Defendeu ainda a importância de existir uma legislação sobre este tipo de casos. Estou completamente de acordo: tem de existir uma lei já no próximo ano. No dia 22 de narço tinha escrito nestas mesmas linhas: "Uma vez mais vem caldinho sobre a questão dos emprestados jogarem ou não contra o clube-mãe. Tozé jogou pelo Estoril frente ao seu FC Porto. Marcou um golo que lhes retirou dois pontos na luta do título. Deyverson e Miguel Rosa não jogaram frente ao Benfica e agora é a vez de Tiago Rodrigues, do Nacional, não jogar frente ao FC Porto. Não percebo como ainda existe tanta guerra e não se faz como em Espanha, em que a equipa que recebe o jogador emprestado, se quiser que este jogue contra a equipa-mãe, tem que pagar uma certa quantidade económica. Em Espanha chamam-lhe a cláusula do medo mas tudo fica legal!" Eu, tal como o míster Jorge Simão e todos aqueles que pensam como nós, esperamos que os senhores que mandam no futebol português copiem o que fazem os espanhóis há muito tempo.
O grande exemplo aconteceu esta semana. Na segunda-feira passou-se o que é praticamente normal em todas as semanas com os jogadores emprestados da Liga espanhola no jogo Valencia-Granada. Os granadinos, presididos pelo meu grande amigo Quique Pina, têm no seu plantel um jovem jogador (Robert Ibañez) que está emprestado pela equipa de Nuno Espírito Santo e que não jogou simplesmente porque a equipa andaluza não quis pagar a chamada "cláusula do medo". Já esta quarta-feira, foi a vez de o Eibar defrontar o Sevilha e aconteceu o contrário, algo que é raro. Uma equipa tão humilde como é o Eibar decidiu pagar a cláusula de 50 mil euros para que o Manu del Moral jogasse contra a sua equipa-mãe. Incrível! O ponta-de-lança é jogador do Sevilha mas está emprestado aos bascos.
Esta é uma norma que permite duas opções: não utilizar o jogador cedido ou simplesmente pagar e tê-lo disponível no encontro com a equipa de origem. Simples, eficaz e sem truques. Esta foi mais uma prova de que poderíamos adoptar esta medida e acabar de uma vez por todas com as polémicas dos emprestados em Portugal! Seria inaceitável para a credibilidade do nosso futebol continuarem a existir estas confusões. Só não muda quem não quer!
GRANDE CALDEIRADA
Como é que ainda aí estás?
Mais uma vez, Cristiano Ronaldo foi assobiado em pleno Bernabéu. Depois de ganhares tudo o que havia para ganhar com o Real Madrid, de inúmeros recordes batidos e de levares os merengues às costas durante as últimas épocas, os adeptos respondem-te com assobios. A atitude da massa associativa madrilena não faz sentido. Como é que ainda estás aí?
NÓS LÁ FORA
És único, Zé!
Hoje, às 13 horas e 30 minutos, o meu querido amigo José Mourinho e o seu Chelsea irão receber o Crystal Palace. Se vencerem serão campeões da Premier League e o treinador português conquistará o seu terceiro campeonato em Inglaterra. Após um regresso a Londres em que não conquistou qualquer título na primeira temporada, o génio português poderá conseguir o seu segundo em 2014/15, pois também já venceu a Taça da Liga. Fantástico! És único, Zé!
ÁLBUM DE RECORDAÇÕES
Meu querido AC Milan
O AC Milan, clube no qual tive o prazer de jogar e ser campeão na época 1995/96, um colosso italiano a nível europeu e mundial, atravessa uma das maiores crises da sua história a nível de resultados. Esta semana foi a vez de saírem notícias sobre o despedimento do treinador Filippo Inzaghi, algo que veio depois a ser desmentido pela direção. Ainda assim, esta equipa, que em tempos foi o sonho de qualquer menino, está em 10.º lugar da Serie A italiana e arrisca-se a não se qualificar, pela segunda vez consecutiva, para as competições europeias. O grande Rui Costa deve de pensar como eu: para onde vai o nosso querido Milan?
