Só resta jogar para ganhar

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Só resta jogar para ganhar
Só resta jogar para ganhar

Portugal inicia hoje um ciclo de dois jogos onde só a vitória interessa. Para manter as esperanças de conseguir o apuramento direto para o Mundial’2014, a margem de erro é muito curta. Não se pode entrar em facilitismos e a nossa Seleção terá de impor dentro de campo o seu favoritismo teórico.

Por muito que jogadores e treinador tentem retirar ou aliviar a pressão, a verdade é que estas deslocações a Israel e ao Azerbaijão são muito importantes para Portugal. Só vencendo as duas partidas é que poderemos continuar a aspirar ao 1.º lugar no Grupo F, o único que garante a presença direta no Brasil. É claro que dependemos ainda de um deslize da Rússia, mas, enquanto for possível, não podemos nem devemos atirar a toalha ao chão.

Neste momento, Portugal tem os mesmos pontos de Israel e a partida de hoje é uma excelente oportunidade para garantir vantagem sobre este adversário, de forma a assegurar, pelo menos, o 2.º lugar do grupo, que depende única e exclusivamente de si. E como apenas os oito melhores segundos classificados terão vaga no playoff, não há outra via a não ser ganhar os jogos que faltam e conquistar o máximo de pontos possíveis.

A Seleção portuguesa é muito mais forte do que a israelita. Mas no futebol não há vencedores antecipados e para ganhar esta tarde Portugal terá de elevar a sua bitola exibicional e implementar uma dinâmica muito maior do que a demonstrada nos últimos jogos (oficiais e particulares) que realizou. Só assim, com uma equipa unida, competente e focada na vitória, poderemos atingir o objetivo da vitória e deixar de alimentar as esperanças dos adversários com um novo desaire.

Frente a um adversário que se deverá fechar na defesa e aproveitar saídas rápidas em transições ofensivas, a nossa equipa terá de ser paciente e atenta. O entusiasmo israelita em torno de Cristiano Ronaldo pode proporcionar um certo agigantamento dos seus jogadores, mas é igualmente um trunfo a nosso favor e uma via aberta para outros atletas nacionais se destacarem.

A partida no Azerbaijão também será difícil. Habituados a ver alguns dos principais craques portugueses pela televisão, os jogadores azeris vão estar extremamente motivados. Em princípio, teremos pela frente uma equipa preocupada apenas em fechar todos os caminhos da sua baliza, tentando adiar ao máximo a chegada do primeiro golo português. Se Portugal conseguir marcar cedo, poderá resolver facilmente a partida. Caso contrário, terá de saber sofrer, esperar pelo momento certo e estar atento para não apanhar nenhum dissabor.

Na semana passada, Nani afirmou que “já é hábito a Seleção facilitar em certos jogos”. Uma declaração que surpreende, precisamente porque é suposto que os jogadores estejam preparados para lidar com a pressão e assumir a responsabilidade dos jogos. Pelos vistos, a cabeça dos jogadores nem sempre está na Seleção. Isso é inadmissível e muito menos agora. Independentemente do valor do adversário, há que o conhecer bem, trabalhar para explorar as suas fraquezas e vencer.

Os próximos jogos da Seleção serão autênticas finais. Paulo Bento sabe disso e está a preparar a sua equipa para essas batalhas. E por muito que não deixe transparecer, está a tentar mentalizar os jogadores dessa responsabilidade. Não será muito difícil motivar os jogadores portugueses. Tenho a certeza que nenhum deles quer ficar a ver Brasil’2014 do lado de fora.

O CRAQUE

Afirmação na Galiza

A temporada pode não estar a correr para bem para o Deportivo, mas não é por culpa de Pizzi que o clube se encontra em último lugar na liga espanhola. O extremo português é uma das principais figuras da equipa galega e está finalmente a mostrar todas as suas capacidades no país vizinho. Já leva 7 golos apontados e várias assistências para golo. Garra, velocidade, habilidade e bom remate são características deste jogador que, aos 23 anos, poderá passar a ter o seu espaço na Seleção Nacional. Merece voos maiores.

A JOGADA

Difícil vida de treinador

Vítor Pereira tentou surpreender tudo e todos em Málaga. Ninguém esperava que fosse aquele o onze titular. A aposta correu mal, a equipa nunca se encontrou e choveram críticas em cima do treinador. O curioso é que aquela formação foi exatamente a mesma que se apresentou na Luz na primeira volta do campeonato. Na altura, todos elogiaram a competência da equipa e a forma como conseguiu neutralizar as principais armas do Benfica. É um facto que o FC Porto teve uma quebra exibicional. Mas também é verdade que, por vezes, os treinadores são “presos por ter cão e presos por não ter”.

A DÚVIDA

Processo muito pouco correto

Nas vésperas de um ato eleitoral, o Sporting acaba de vender um dos melhores jogadores, fora do período de transferências, para poder dar resposta ao pagamento de salários e despesas correntes. Godinho Lopes sai mal desta fotografia e acaba por minar o trabalho do sucessor. A decisão de vender Wolfswinkel devia caber à nova direção. O futuro presidente leonino passará a ter mais uma árdua tarefa a somar ao pesado caderno de encargos que tem à sua espera: procurar um ponta-de-lança titular para a próxima época. Faltou ética a Godinho Lopes?

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