Soares é fixe
O regresso do Belenenses à 1ª Liga é uma grande conquista. Não apenas pela subida em si mesma, mas porque ela representa uma inversão no que ameaçava ser um declínio desportivo terminal no clube de Lisboa. Para Rui Pedro Soares, é uma grande entrada. E é, também, uma responsabilidade que o compromete: afinal, os jogadores já fizeram a sua parte.
Falta o resto, que depende da gestão de Rui Pedro Soares. O novo dono do aflito Belenenses foi recebido com expectativas controladas, pela dimensão do problema mas também pela suspeita que sempre há – e deve haver – quando aparecem supostos salvadores. Aliás, essas suspeitas levantam-se para duas pessoas que parecem ter algumas coisas em comum, Rui Pedro Soares e Bruno de Carvalho, começando pela idade e pelo passado de fura-vidas (curiosamente, ambos estudaram na mesma faculdade ao mesmo tempo, o Instituto Superior de Gestão, mas não foram colegas). A culpa não é de Carvalho nem de Soares, é de outros que no passado foram oportunistas de clubes que deixariam com os pés-para-a-cova. Porque há muito dinheiro a rolar no futebol e presidente de clube está sempre no circuito. Para o bem, claro, mas também pode estar para a ocasião. Ora, no Belenenses, há muito valor imobiliário potencial que restará se o clube terminar. Com esta subida de divisão, o Belenenses afasta-se desse ocaso.
Rui Pedro Soares teve mais tento nas celebrações que Bruno Carvalho, que celebrou a (fantástica) vitória do Sporting em Braga como se fosse um miúdo. O presidente do Belenenses não assumiu um protagonismo que não lhe era devido e entregou os louros (e o espaço mediático) justamente à equipa e ao herói van der Gaag. Fez muito bem. Falta o resto: a recuperação financeira do Belenenses. Assim seja. Se for, Soares é mesmo fixe.
