Sou amante do futebol e sou parisiense
O futebol também serve para fazer atentados. O que se passou em Paris foi inenarrável mas poderia ter sido pior se no grandioso estádio de França construído para o Mundial de Futebol de 1998, os três terroristas suicidas fizessem detonar os explosivos dentro do estádio.
Felizmente, aos suicidas foi-lhe impedida a entrada no estádio, em que se encontravam 80.000 pessoas, entre elas, o presidente Françoise Hollande.
O jogo de futebol entre a França e a Alemanha continuou para evitar o pânico e só depois de as autoridades terem assegurado, que em todas as saídas, não havia problemas é que permitiram a evacuação. Foi extraordinário e fantástico os adeptos saíram do estádio a cantar La Marsellesa.
Este estádio salvou-se de uma matança de repercussões brutais. Um jogo de futebol é um evento com muita assistência sendo o local privilegiado para provocar o maior número de mortos e lançar o terror inumano.
O encontro particular entre a Bélgica e a Espanha, foi cancelado devido ao risco real de atentado. Em Hannover o jogo entre a Alemanha e Holanda foi cancelado à última hora motivos de segurança.
Aflorou-se a hipótese de cancelar também o jogo entre Inglaterra e França programado para esta terça-feira no estádio de Wembley. Muitos jogos realizaram-se como o Luxemburgo-Portugal, entre outros. Seria um erro adiar esses jogos, seria uma vitória do terrorismo. Como diz Joseph Conrad (escritor britânico)," não se pode ceder a ameaças". Temos que manter a nossa dignidade , a nossa coragem e não sucumbir ao medo que nos querem provocar. É um risco realizar um jogo de futebol mas deve ser realizado. Assim como, aquando do atentado em Madrid (Atocha), as manifestações que se realizaram de seguida em defesa da democracia, de um estado de direito e contra o atentado foi um risco, mas uma prova que estavam ali para seguir em frente.
O futebol é um desporto de massas que nada tem que ver com política, apesar de muitas vezes a política se intrometer. A realização dos jogos é um acto desafiante aos terroristas mas uma mensagem de quem ama a vida e o futebol e, que apesar de tudo, queremos seguir em frente e voltar rapidamente à normalidade e dar um sinal para se realizar o Euro 2016 em França.
Por isso, sexta-feira fui parisiense e curvo-me por tanta carnificina indiscriminada em inocentes. O futebol desta vez salvou-se mas será no futuro um alvo.
As imagens ao ver um relvado cheio de pessoas num estádio induzem algo de anormal: invasão do campo, ou celebrar um título, ou, nunca tinha visto, a fugir de terroristas e aguardar a sua evacuação.
Uma multidão é incontrolável mas desta vez correu bem. A internet e o contacto por SMS e chamadas de telemóvel entre quem estava dentro do estádio e fora permitiu evitarem o pior.
O âmago deste terror, é que se pode tomar medidas para minimizar os riscos, mas não se pode eliminar de todo das nossas vidas. O futebol já era um local de risco pelas claques violentas de futebol, agora ser risco de atentados vai fazer com que menos gente vá ao futebol.
Mas, o futebol é grande e vai resistir a mais este percalço. O futebol é um veiculo de aproximação entre povos e seria importante realizar-se vários jogos de futebol a favor das vítimas deste atentado. O futebol é um desporto que tem forçosamente que ajudar a vencer o terrorismo.
