Sporting cinzento

Adicione como fonte preferencial no Google

Os maus desempenhos na pré-temporada haviam dado claras indicações de que algo não estava a carburar em pleno no Sporting. Nos ensaios, a equipa foi amorfa, pouco esclarecida, previsível e até displicente em determinados momentos, nomeadamente no empate com o Vitória de Guimarães, conforme Paulo Bento salientou na altura.

O primeiro duelo com os holandeses do Twente, referente à 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, confirmou que o Sporting precisa mesmo, com caractér de urgência, de alterar algo. Resta saber o quê, embora seja cada vez mais óbvio que o plantel não tem muitas soluções de qualidade (Caicedo pode ajudar na frente de ataque, mas esse não é o único sector que precisa de ser retocado...) e que o modelo táctico, pese as suas virtudes, parece castrar o futebol de alguns elementos.

É verdade que se João Moutinho tivesse convertido o penálti, aos 25 minutos, talvez tudo tivesse sido diferente, mas convém recordar que até então o adversário tinha sido muito melhor. Por outras palavras, o Sporting só foi dominador quando passou a actuar em superioridade numérica e isso parece-me ser o mais preocupante de tudo. Uma equipa que se quer poderosa, em Portugal e na Europa, tem de fazer mais e melhor.

A jogar em casa, perante um opositor que está longe de ser um nome forte no contexto do futebol internacional - o que não significa que seja uma equipa fraca, bem pelo contrário -, e sabendo da importância desportiva e financeira do embate, esperava-se um Sporting motivado, alegre, capaz de corresponder ao apoio dos adeptos. Mas, logo aos 30 segundos, o Twente só não marcou... porque não calhou.

A época está apenas a começar e o Sporting, excepção feita a alguns jogos particulares, ainda não perdeu nada. Há tempo para reagir e dar a volta a este arranque em falso. Aliás, os leões possuem qualidade suficiente para, já na próxima semana, ir à Holanda assegurar a continuidade na "Champions". Mas, em Alvalade, Paulo Bento tem de se despachar a montar uma equipa com outra garra, fio de jogo e, já agora, eficiência. É que o facto de ter todo o apoio do presidente José Eduardo Bettencourt não o coloca a salvo da pressão dos adeptos que, como palpitei num artigo anterior, reagiram com assobios (no estádio) e com críticas duras (através dos comentários aqui no Record Online) a mais uma exibição (e resultado) cinzenta.

Bento soube, ao longo dos tempos, construir um forte estatuto em Alvalade mas, esta temporada, não pode ficar-se pelo "quase", até porque o segundo lugar já deixou de valer uma entrada directa na "verdadeira" Liga dos Campeões. Duvido muito que o treinador se mantenha na sua posição se, à quinta tentativa, continuar a não ganhar o título. Mas, para já, tem é de descobrir como (e com que elementos) conseguirá vencer na Holanda. A tarefa não será fácil, mas passar esta eliminatória seria o melhor remédio para uma equipa que, visivelmente, precisa de animar.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade