Sporting e o freguês suíço
Mais um jogo, mais uma vitória. O Sporting, se fosse possível, passava a época a defrontar os suíços do Basileia. É que esta temporada, tal como na anterior, os leões fizeram o que quiseram dos fregueses helvéticos e, mais importante, ganharam todos os duelos. E quando os embates dizem respeito à Liga dos Campeões, convém não ignorar que, para além de pontos e prestígio, estão em causa milhares de euros. E se eles fazem falta aos cofres dos emblemas nacionais... Hoje, porque o Mundo atravessa uma grave crise, mas também ontem ou amanhã porque, em condições normais, os clubes portugueses não podem desperdiçar verbas suplementares. Só assim podem ser minimamente competitivos entre os colossos europeus.
Desportivamente, e mesmo sem contar com jogadores como Rui Patrício, Tonel, Romagnoli ou Liedson, o Sporting não teve muitos problemas para ganhar o jogo. É verdade que sofreu alguns sustos na segunda metade mas, caso fosse necessário, acredito que não teria dificuldades em voltar a demonstrar a sua inquestionável superioridade perante uma equipa talhada apenas para o consumo interno.
Olhando para o desempenho global nesta "poule", pode dizer-se que o Sporting cumpriu, à risca, o que lhe estava destinado: foi melhor (e ganhou) às equipas menos cotadas; foi pior (e perdeu) com o todo-poderoso Barcelona.
Agora, como Paulo Bento já admitiu, a tarefa vai ser diferente. Acabaram-se os opositores fáceis e/ou acessíveis. Panathinaikos e Villareal, sendo equipas fortes e habituadas a andar nestas lides (onde o Sporting nunca chegara), parecem-me ser as únicas que, à partida, não reunirão um favoritsimo óbvio diante dos leões. De resto, como diz o povo, "venha o Diabo e escolha..."
Mas o facto de poder ser considerado um "outsider" nesta fase adiantada da "Champions" até pode jogar a favor do Sporting. A pressão estará em cima dos adversários, ao passo que os leões não estarão obrigados a nada. Apenas a dar o melhor e a tentar chegar o mais longe possível. Quantas vezes, no futebol, os conjuntos teoricamente menos fortes enganam os favoritos? Todos os dias acontece! E já agora convém dizer que o Sporting, mesmo sabendo-se o elevado poderio dos outros apurados para os "oitavos", também não será "pera doce" para ninguém.
PS - Schuster foi demitido do Real Madrid e prontamente substituído por Juande Ramos. Não estou surpreendido. Nem eu, nem os adeptos madrilenos, nem ninguém, tendo em conta os resultados recentes da equipa. Mas, ao contrário da versão oficial, parece-me que foi o próprio alemão a decidir o "timing" da saída. Só assim se explica que tenha tido a lata de, após uma derrota caseira com o Sevilha, dizer que, na ronda seguinte, seria impossível ganhar em Barcelona. Uma tirada destas não pode ser inocente. O homem queria sair do "filme" quanto antes e como conhece bem o clube, optou por proferir palavras que, naturalmente, devem ter provocado inúmeras arritmias aos mais ferrenhos adeptos do Real.
