Sporting encarnado
“Falência técnica” é uma expressão apenas... técnica – enquanto houver dinheiro, as empresas mantêm-se abertas. Mas, sendo técnica, a expressão significa que se a empresa vendesse tudo o que tem (o ativo) não receberia dinheiro suficiente para pagar tudo o que deve (o passivo). É como está o Sporting. Ao contrário do que sucedeu no Benfica e Porto, a falência técnica da SAD do Sporting não é uma circunstância, é uma característica.
Os resultados anuais da SAD sportinguista apresentados esta semana mostram, em números, o que queria dizer Godinho Lopes quando afirmou que não tem dinheiro para mandar cantar um cego. A empresa já estava falida (“tecnicamente”...) e dependente da banca. Agora, tem prejuízos galopantes (44 milhões de euros) e receitas futuras “hipotecadas”.
A situação é herdada da presidência de Bettencourt, um suposto “águia” da finança cuja estratégia de redução de custos falhou. Agora, a estratégia foi invertida e o Sporting “copiou” o expansionismo do Porto, o que o Benfica também fizera: investir em jovens promessas, ganhar jogos e vender jogadores com lucro. Os bancos credores (BCP e BES) aderiram a essa estratégia. Mas ela depende de um fator: os golos. Ou o Sporting começa a ganhar, para aumentar as suas receitas desportivas e lucrar com vendas de jogadores, ou o caldo entorna-se.
Quando os jogadores do Sporting ganharam ao Paços de Ferreira, festejaram a quebra do jejum como se celebrassem a própria vida. Ironicamente, é mesmo por isso que estão a competir, pela sobrevivência do Sporting enquanto clube grande. Até porque a “troika” veio complicar a vida dos devedores mas também dos credores. Por isso a pressão é tão grande este ano. Porque o Sporting tal como o conhecemos está dependente de três bancos: o BES, o BCP e o de Domingos Paciência.
