Sporting: onde será o fundo?

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Assisti, na diagonal, ao Sporting-Benfica, referente às meias-finais da Taça da Liga. E, alertado pelo aumento do som dos comentários televisivos, fui espreitando os lances mais perigosos. No final, para além de ter confirmado que, de momento, uma equipa encarnada q.b. pode ser suficiente para vencer determinados jogos, também fiquei sem dúvidas (quem tem lido as últimas análises sobre os leões sabe bem que não eram muitas...) em relação à mediocridade momentânea da equipa de Alvalade.

Não me parece justo falar deste duelo sem, desde logo, dizer que jogar praticamente desde o início com um homem a menos tornou a tarefa leonina, já de si complicada, bastante difícil. No entanto, conforme se viu na véspera com outro Sporting, no Restelo, nem sempre actuar em inferioridade numérica é sinónimo de derrota. Contudo, se os leões nem com 11 parecem - por agora - capazes de assustar alguém, com 10 e a perder na sequência da expulsão (tão evitável quanto justa de João Pereira)... ficaram automaticamente entregues.

Com os índices de motivação pelas ruas da amargura, o Sporting "morreu" muito cedo. E nem o golo de Liedson - com Júlio César mal batido - foi capaz de fazer reanimar a equipa ou os adeptos. É verdade que a incerteza chegou a pairar porque 1 golo de atraso permite sonhar, mas foi sempre o Benfica a estar mais perto do terceiro que os locais do segundo. Por isso, quando Luisão sentenciou, definitivamente, a eliminatória, ninguém ficou surpreendido.

Até ao derradeiro apito do árbitro (com vários erros, mas sem influência no desfecho) foi confrangedor ver o Sporting em campo. Os responsáveis do clube, no final, realçaram o brio dos jogadores, mas futebolisticamente falando o que se viu foi, de novo, muito mau. E teme-se que, nos próximos tempos, não consiga ver muito melhor.

Esta equipa de Carvalhal ainda se aguentou quando, por mero capricho do calendário, andou a defrontar formações de menor capacidade. A partir do momento em que os opositores passaram a ser diferentes, mais cotados, a derrocada iniciou-se. E, depois do adeus à terceira competição em poucos dias, resta apenas a Liga Europa. Perante o actual cenário, até um sofrível Everton parece ser de outra galáxia para um Sporting sem força, dinâmica e organização. Dentro e fora do campo, acrescente-se... Os milhões gastos em reforços não chegam para transformar a crise em bonança. Aliás, já se duvida que parte do investimento (estou a falar de Pongolle) não tenha sido a fundo perdido!

Rui Patrício não deu "frangos" neste jogo, mas ficou bem evidente que está longe do seu melhor momento. Pura e simplesmente precisa de descansar, de arejar a cabeça. Contudo, se essa for a solução, está fácil de ver que Tiago também não está em condições (psicológicas) de alinhar. O que disse antes e depois da expulsão provaram-no. De resto, a defesa continua um caos (Grimi é outro elemento a exigir "reciclagem"), o meio-campo não tem imaginação nem pulmão e no ataque Liedson, a meio gás, faz mais que todos os companheiros juntos.

Após quatro derrotas consecutivas (algo que é inédito na história do clube) e só com a Liga Europa verdadeiramente para disputar, creio que o Sporting corre sérios riscos de, já de seguida, sofrer mais um abalo em Paços de Ferreira. Nesta altura, mais do que perguntar quando irá o clube conseguir sair deste buraco, apetece questionar até onde será possível descer?

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