Sporting resiste à febre homicida?
O Sporting escolhe hoje mais um presidente para liderar os seus destinos, depois de uma campanha eleitoral medíocre, sem rasgos nem ideias prevalecentes. A história de um clube centenário, cheio de história, mereceria uma campanha com outra dimensão. Talvez essa realidade seja, afinal, a extensão do momento difícil que o Sporting atravessa. A consequência da exaustão. A consequência do vazio. A consequência do caos. A consequência de práticas homicidas.
Os debates televisivos eram aguardados com alguma expectativa. No primeiro dominou a contenção, o conservadorismo, o pacto de não-agressão, em nome de uma suposta mas artificial urbanidade. Os candidatos jogaram à defesa. Pareceu um velório. No segundo, talvez pela verificação do “flop” e por contraste, a estratégia mudou. Os candidatos passaram ao ataque. E, mesmo assim – utilizando linguagem futebolística –, aquele que potencialmente teria razões para jogar numa toda “mais ofensiva” (Bruno de Carvalho) foi o que mais se conteve. Uma estratégia, talvez com o objectivo de amenizar a fama de “rupturista”, que quase o levou ao tapete, depois do ataque de José Couceiro sobre a ausência de passado desportivo (“você vale zero”). Quem valeu a Bruno de Carvalho, então encostado às cordas, foi Carlos Severino, que não gostou do sorriso trocista do ex-treinador dos leões e atingiu Couceiro com um par de setas envenenadas, cujo efeito foi o despertar de Carvalho.
Não há nenhum entusiasmo associado à eleição do próximo presidente do Sporting. Não pode haver. O clube está falido, a direcção demissionária decide fazer negócios “fora de horas” e até a MAG falha os “timings” do processo de recolha dos votos. Um descalabro total. Depois, em relação às propostas programáticas, ninguém tem certezas de coisa nenhuma, no que concerne às questões estruturais. É preciso “abrir o melão” e lidar mais de perto com as realidades, porque só a partir de hoje é que vamos conhecer exactamente as dinâmicas entretanto estabelecidas com os credores e com a banca, porque todos andam a falar com todos, e, como se sabe, há muita falsidade e hipocrisia nestes encontros. Uma coisa é certa: não há mais margem de manobra para manter as despesas num plano pornográfico em relação às receitas e não há mais espaço nem tempo para alimentar o escândalo em que se transformou a gestão desportiva e financeira associada ao futebol do Sporting, terreno fértil para assaltos (leia-se indemnizações) à mão armada.
É preciso bom senso nesta fase dramática da vida do Sporting. Mas, mais do que bom senso, é preciso ter coragem. E já se percebeu quem a pode ter e quem foi convencido a avançar, “in extremis”, para prolongar a agonia. É que alguém tem de continuar a esconder o trabalho dos homicidas...
JARDIM DAS ESTRELAS
Jesus no goto dos apóstolos (4 estrelas)
Este final de época vai colocar alguns treinadores no topo da actualidade. Jorge Jesus e Vítor Pereira, com contratos a expirar, são os dois exemplos mais marcantes.
A semana foi particularmente fértil para o treinador do Benfica. Em golos e pontos. E também em elogios, alguns dos quais oriundos da própria cabina. As palavras de Luisão não podem deixar de ser sublinhadas. Elas têm um significado profundo, porque são declarações do líder e do capitão. A época ainda não acabou, Jesus não pode ser declarado vencedor, já houve num passado recente vantagens que foram anuladas, mas quando às vezes se fala numa relação difícil de Jesus com alguns jogadores, não deixam de ser relevantes as palavras de Luisão, Melgarejo e Ola John na avaliação do timoneiro.
TEMPO EXTRA
"Bentomania" não faz milagres
Apesar do discurso macio e “conciliador” do seleccionador, Portugal realizou um mau jogo em Telavive. Não foi a mentalidade que nos traiu. Não foi o golo madrugador o responsável pelo desaire, que poderia ter sido maior. Foi a falta de talento. Foi a falta de qualidade. Foi a falta de atitude. E foi a ausência de uma estratégia clara para matar o jogo quando Portugal teve a oportunidade (soberana) de o fazer. A degradação qualitativa da Selecção, que ainda vale alguma coisa no panorama internacional por poder contar com Ronaldo, não é um achado do momento. Ela havia sido anunciada. Sem Ronaldo, esta Selecção é igual a quase todas. Pensava-se que havia um problema de liderança técnico-táctica. Pensava-se que a resolução da (falta de) coexistência interna entre o chefe da equipa técnica e a maior estrela do nosso firmamento futebolístico iria projectar a Selecção para um ciclo vicioso. Já se percebeu que a “Bentomania” (também) não faz milagres. Sobretudo quando os jogadores, quase todos, não estão focados na Selecção. Bento é apenas um grão de areia na engrenagem. A engrenagem é a FPF e as suas dependências.
O CACTO
Vendidos!
Ainda há questões relacionadas com a gestão do mandato de Godinho Lopes que permanecem no limbo. A venda de Wolfswinkel ao Norwich não se justifica à luz de nenhum princípio de gestão minimamente responsável. Para pagar ordenados? Ou será que algumas operações já estavam apalavradas antes da demissão dos órgãos sociais do Sporting?...
Ainda haverá surpresas com Rui Patrício e com outros jogadores? A quem interessou retalhar os passes dos atletas? Quem ganhou com isso?
