Sporting sem espaço para errar

Adicione como fonte preferencial no Google

Finda mais uma jornada da Liga salta à evidência que o Sporting deu um passo atrás no processo de candidatura ao título. Não me parece correcto dizer, desde já, que os leões deixaram a corrida entregue apenas a dois emblemas, mas creio ser pacífico considerar que, com 7 pontos de desvantagem para o FC Porto e 3 para o Benfica, as chances verdes e brancas são agora mínimas. Ainda por cima, o calendário diz-nos que os pupilos de Paulo Bento terão de se deslocar ao terreno dos eternos rivais e a história recente confirma-nos que o Sporting não se dá nada bem com os momentos de decisão. Vários são os episódios de tropeções num passado recente (em casa e fora) quando era proibido escorregar.

Com a Liga mal encaminhada e já sem Europa - inacreditável a forma como de provável sensação a equipa acabou por nem lograr a passagem para a Taça UEFA -, o Sporting pode e deve apostar tudo na Taça de Portugal. É nessa competição que, objectivamente, reúne mais probabilidades de sucesso. E nem FC Porto ou Benfica podem dificultar a tarefa leonina. Atlético e Varzim fizeram aquilo que se antevia mais complicado: tirar de cena os adversários teoricamente mais fortes.

Sendo assim, é normal e justo afirmar que o Sporting é o grande candidato à vitória na Taça. O problema - para além da pressão adicional que isso coloca em cima dos futebolistas - é que o embate dos "quartos", face à inconstante mas perigosa Académica, surge num momento de evidente quebra de produção do conjunto de Alvalade. Pior que isso: por muito que se tente desviar as atenções, a verdade é que começam a ser evidentes os sinais de instabilidade no seio da família verde e branca. Paulo Bento já não é um técnico consensual entre os adeptos (como qualquer outro treinador não está imune aos resultados menos bons e quatro empates nos últimos cinco jogos da Liga não agradam a muita gente que, claro, aproveita para questionar o onze, o modelo de jogo, as substituições ou outra coisa qualquer...) e Filipe Soares Franco volta a sentir as críticas de uma oposição que, a exemplo de outras casas, cresce ao mesmo ritmo que as hipóteses de arrecar troféus diminui.

Ao responder aos adeptos descontentes, o presidente mais não fez do que "dar um tiro nos pés". Percebe-se que pretenda pedir serenidade aos sócios para que a intranquilidade não enerve ainda mais os atletas - nomeadamente os mais jovens, embora convenha dizer que o onze tipo do FC Porto, por exemplo, apresenta uma média de idades inferior... -, mas é preciso ter presente que são os anónimos que se deslocam religiosamente a Alvalade que transformaram o clube num grande. E estes, pagando do seu bolso quotas, lugares anuais e até sendo accionistas da SAD, têm todo o direito a protestar. Podiam ser mais contidos na indignação? Claro, mas é muito mais fácil estar do lado dos dirigentes e funcionários (alguns dos quais recebem e bem para desempenhar as respectivas funções que, mais tarde ou mais cedo, terminam) do que dos associados (esmagadoramente sempre fiéis). São os homens da bancada quem mais sofre com os resultados negativos e com as eternas promessas de futuro risonho. São eles que não entendem como é que alguém com 20 anos se diz triste por ganhar uma pequena fortuna por mês a fazer aquilo que gosta... Num mundo tão acelerado, o futuro que interessa à maioria dos sportinguistas esgota-se no presente, que é como quem diz no embate decisivo com a Académica. Não há mais espaço para errar.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade