Sporting sintético
O Sporting lucrou 10,5 milhões de euros no primeiro trimestre desta época, contra prejuízos no ano passado; mas está a ficar para trás em receitas. É um paradoxo: o clube, por ser gerido responsavelmente, está a apequenar-se.
O lucro vem da venda de jogadores, incluindo a de Moutinho. Foi um bom preço, mas quem ficou um “patrão” foi o Porto. E o Sporting vai baixando assistências.
Como outros, o Sporting está refém da banca. A diferença é que o Benfica e o Porto continuam a pedir crédito e a tê-lo contra a expectativa de receitas de risco: Champions (de onde o Benfica está eliminado, para mal dos seus credores) e venda de jogadores. Ao contrário, o Sporting tem sido zeloso e responsável.
Mas esta “boa gestão financeira” está a ser madrasta. Como demonstrava o “Público” no sábado, Porto e Benfica estão a descolar do Sporting, que perde bilheteira e patrocínios. “Mais duas épocas assim e o Sporting pode começar a aproximar-se mais do Braga e Guimarães que do Benfica e Porto”, afirmava Hélder Varandas, especialista em finanças do futebol.
O Sporting está a trocar o risco financeiro por outro risco: o de encarquilhar-se, ser um clube com menos custos e receitas. Enquanto isso, o Braga faturou mais na Champions que o Sporting com Moutinho.
É como a hipótese de trocar a relva de Alvalade por plástico: um raciocínio de boa gestão (face aos inultrapassáveis problemas atuais) mas sem “alma” desportiva. Mais do que um relvado sintético, o Sporting precisa de um superlativo sintético: ser Sportinguíssimo. De outra forma, pode tornar-se um pequeno clube grande.
PS: João Lagos sentiu-se acossado com a notícia dos seus problemas financeiros. Sobre isso já escrevi no “Negócios”. É nas dívidas que Lagos precisa de fazer um smash! Assim seja.
