Sporting varrido da "nova ordem"

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Sporting varrido da "nova ordem"
Sporting varrido da "nova ordem"

Há uma “nova ordem” no futebol português, depois do “casamento” (por conveniência) entre FC Porto e Benfica, que subiram ao altar com o propósito de verem uma personalidade qualquer (foi Luís Duque o escolhido, mas poderia ter sido outra figura com ADN semelhante) recuperar a “alma” da Liga, cuja nomenclatura havia sido denunciada, nas suas principais motivações, por Mário Figueiredo, achado muito depressa como o mau da fita, quando recusou fazer o papel de “prostituta acidental”, negando-se a alinhar e a satisfazer os caprichos de outrora.

A bem da verdade, a “nova ordem” já é velha; simplesmente o facto de o Sporting, no pós-Sousa Cintra, ter andado a “brincar aos futebóis”, durante anos a fio, e a cavar o seu próprio (e profundo) buraco, colocou o FC Porto e o Benfica numa posição de neutralidade quase plena. É bom recordar que os leões não são campeões nacionais há doze épocas e, nos últimos 30 anos, só alcançaram o título por duas vezes! Isso gerou a sensação de um leão domado – e tomado pelos seus enormes problemas. Até Bruno de Carvalho chegar à presidência do Sporting, que tudo questionou.

Não se deve ignorar que, depois de 1993/94 e até à chegada de... Jorge Jesus ao Benfica, o clube da Luz só havia ganho um único campeonato (Vieira/Veiga, com Trapattoni, em 2004/05). Quer dizer que o futebol português passou a estar polarizado com a afirmação inequívoca do FC Porto, e só nos últimos anos o Benfica voltou a dar um pouco mais de luta. Quer isto dizer, em síntese, que quem domina o futebol português ou quem consente ou permite gerar uma bolsa mínima de alternância não vê com muitos bons olhos a intrusão do Sporting, principalmente se começam a ser questionados os pilares que sustentam o edifício do futebol português tal e qual como ele é...

O FC Porto percebeu, e bem – ou não fosse Pinto da Costa o maior estratego do futebol português – que a “fonte” do seu poder estava a ser colocada em causa e, perigosamente, a secar. Num futebol profissional sobredimensionado e sem capacidade para gerar grandes receitas, a Olivedesportos foi a seiva que alimentou, anos a fio, grandes e pequenos. No caso dos pequenos, não tinham nenhuma hipótese de sobrevivência se não fosse o oxigénio dos direitos televisivos, chegado tantas vezes aos “cuidados intensivos” quando o padre já se preparava para a extrema-unção. Os abusos da posição dominante e a sensação de aproveitamento de uma organização quase oligárquica levaram o Benfica a aceitar a ideia de que era necessário colocar uma pedra nesse caminho. Essa pedra chamou-se Benfica TV e produziu um efeito relativamente rápido. O porta-aviões já não navegava em águas tão calmas, o tema da falta de concorrência (apenas suscitado no país inteiro, anteriormente, por duas ou três vozes) começou a ser falado e os contratos a serem questionados. Só um cego ou quem está agarrado a esses interesses não viam ou não queriam ver que este sistema de dependência absoluta dos competidores gerou gravíssimas entorses na verdade desportiva. O FC Porto de Pinto da Costa, sempre secundado pelo seu “anel de ouro” (Joaquim Oliveira), cumpriu com mestria e eficácia o papel de “especialista em alianças” e escolheu, eficazmente, a estratégia que o colocou numa posição dominante.

O Benfica começou por perceber o bloqueio e a cristalização, primeiro, com uma estratégia superagressiva, na qual Vieira e João Gabriel foram preponderantes, e, depois, perante a verificação de que, com essa agressividade, o FC Porto continuava por cima, começou a fazer marcha-atrás. E com a chegada de Bruno a Alvalade, mais a leitura de que o endividamento é maior e o passivo não baixa; e ainda que a Benfica TV, do ponto de vista do negócio, nunca será um oásis, Luís Filipe Vieira e os seus conselheiros terão chegado à conclusão segundo a qual, neste momento, mais vale estar próximo do FC Porto, numa estratégia de não-agressão mútua, uma vez que os problemas são comuns e não lhes interessa contribuir para o crescimento do Sporting.

Perante este quadro normativo, cada vez menos atreito à mudança, em que se escolhem pessoas mas não se discutem nem projectos nem propostas, é de elementar compreensão que o Sporting, espécie de “outsider” desse quadro normativo, não terá qualquer hipótese de crescimento se contribuir para o seu isolamento. O actual sistema de organização do futebol português, muito conservador e cheio de vícios, não tem a marca do Sporting. Isso até pode ser entendido à guisa de elogio. A exclusão do Sporting não é boa para o futebol português. E, também por isso, mesmo com alguns erros cometidos, o dirigismo desportivo necessita de pessoas como Bruno de Carvalho. Porque as árvores precisam de ser agitadas. Sempre.

NOTA – Quem disse que Quaresma não cabe na Selecção Nacional?

Pazes

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, vai ter de perceber que o convencimento da sua omnipotência vale pouco e tem um efeito muito relativo num futebol altamente conservador e entregue a estereótipos sistémicos muito difíceis de abalar. Por isso, há conflitos que pode evitar e começar a resolver, como é o caso daquele que protagonizou com Manuel Fernandes, grande figura do clube e perante o qual não tinha nada a ganhar. Dar um passo atrás, numa questão deste tipo, não coloca em causa a lógica da sua liderança e só o valoriza.

Ridículo

Foi trucidado por Pedro Proença. A falta de reacção imediata, perante tamanho ataque, já indiciava medo ou uma táctica defensiva. Na sua primeira aparição pública, Vítor Pereira fez como o ministro da Informação do Iraque quando Bagdad estava a ser tomada pelos norte-americanos e o ministro dizia que era mentira, assegurando o controlo da situação. Assim fez Pereira: doses de propaganda e ideias feitas sobre uma realidade (da arbitragem) que apenas se encontra anichada na sua cabeça. Segundo Vítor, “o caos” é cor-de-rosa. A cereja no topo do bolo foi quando Pereira confessou não se lembrar do que aconteceu no Sp. Braga-Benfica. Foi aí que ele revelou a sua faceta de um dos maiores enganadores do futebol português. Proença tem razão: passou à história, depois da “invasão”.

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