Sucessão no FC Porto é tema... proibido!
E de repente, a conquista do título pelo FC Porto “ressuscitou” Vítor Pereira no Dragão, que tem um pré-acordo assumido com o Everton, do qual eventualmente (não é certo) necessita de se libertar. O próprio Pinto da Costa reformulou a sua visão sobre o assunto e deu muita importância não apenas à reacção dos jogadores, mas também dos adeptos, em Paços de Ferreira e depois nos Aliados, para além do “portismo” sempre assumido pelo treinador.
O volte-face do campeonato é, também, o volte-face na gestão deste dossiê, que Antero Henrique, director-geral da SAD e a partir de hoje vice-presidente da direcção, sempre tentou controlar, com Mano Menezes à cabeça das preferências. As diferenças de opinião e as divergências em relação a este assunto são apenas a face mais visível de uma questão mais profunda e fracturante, relacionada afinal com a sucessão de Pinto da Costa.
Nem todos, à volta do presidente, estão satisfeitos com o poder crescente que Antero Henrique granjeou no “futebol do Porto” nos últimos anos, à conta da forma como sempre acompanhou e apoiou Pinto da Costa no processo Apito Dourado.
Esse alinhamento incondicional permitiu-lhe recrutar e afastar algumas pessoas, nomeadamente, no âmbito do scouting (por exemplo: Luís Gonçalves), e hoje ele é o grande dominador das relações internacionais, no âmbito do mercado de transferências. As (principais) aquisições têm a sua chancela e Pinto da Costa, até agora, foi “assinando por baixo”, satisfeito com o produto e a qualidade dessas operações. O ocaso de Reinaldo Teles é uma consequência do “anterismo”.
Acontece que, embora discretamente e sempre a recusar lugares na estrutura, até por força da sua condição de “agente”, Alexandre Pinto da Costa, na sequência da reconciliação com o pai, voltou aos corredores do Dragão e tem o apoio de alguns “senadores” portistas, dentro e fora do FC Porto.
É aqui, no plano do(s) negócio(s), com vários interlocutores pelo meio, que está instalada a celeuma e uma certa tensão, até em função da visibilidade que o próspero Antero Henrique passou a conhecer. Antero já havia deixado cair Vítor Pereira e virou-se para Mano Menezes, mas o Estoril, Liedson, Kelvin e, evidentemente, o Benfica trocaram as voltas e os planos, e agora, calcule-se, a bola está mais do lado do técnico portista, que não pode deixar de sopesar os seus compromissos e toda esta (nova) conjuntura. O “dossiê-treinador” nunca será contudo um problema para o FC Porto, habituado a “sinalizar” várias soluções... para o que der e vier.
O processo negocial que culminou com a aquisição de Carlos Eduardo, ex-Estoril, foi uma vitória de Alexandre, com Antero Henrique a ter de se conformar com a decisão (final) do presidente. Hoje, Pinto da Costa ganha mais umas “eleições”, ainda e sempre com Antero Henrique do seu lado. No arranque do último triénio, com o museu a funcionar como uma das grandes “paixões” do líder, o presidente portista confessa não querer meter-se na luta pela sucessão mas vai ter de estar atento. Há muita poeira no ar...
TEMPO EXTRA
(Des)contos na Taça
O Benfica quer fechar a época com a conquista de um título, porque se assim não for fica muito difícil a gestão da continuidade de Jorge Jesus no futebol encarnado... As grandes decisões ficam para depois da final da Taça de Portugal, porque as coisas podem alterar-se no cenário de um eventual desaire... O próprio JJ sabe que, não obstante os méritos do seu trabalho, não haverá descontos quando for altura de pagar a factura e, para evitar essa situação, a curto prazo, terá de criar à sua volta condições de estrutura que o favoreça. Para além das questões inerentes ao plantel – o que quer dizer esta súbita viragem à... Sérvia?!
No plano da final, o V. Guimarães vai querer certamente fazer a festa – e festa até às tantas haverá se os vimaranenses resgatarem o troféu... –, mas o Benfica tem uma “obrigação” a cumprir e os festejos, nessa eventualidade, nunca serão tão exuberantes...
O que vai contar é a última oportunidade de contabilizar um título. Caso contrário, lá virá a ladainha dos descontos...
JARDIM DAS ESTRELAS
(Vítor) Pereira e os espinhos
Faz um campeonato sem derrotas. Torna-se bicampeão nacional. Nunca a sua condição de treinador principal do FC Porto foi um passeio. Não tinha currículo quando foi chamado, “in extremis”, a ocupar o lugar de André Villas-Boas. Manteve o essencial: as lógicas da cabina e do clube, porque o treinador, no Dragão, é mais um gestor de tendências do que propriamente um chefe. O chefe preside. O chefe supervisiona as acções dos seus colaboradores. Porque só o chefe tem colaboradores. O “gestor de tendências” dá a táctica (mantém a táctica) e ora conduz, ora é conduzido.
Vítor Pereira já estava conduzido... para fora, quando num acto de aparente rebeldia se “recusou” a aceitar Izmailov e, principalmente, Liedson.
Nas suas oscilações emocionais, que marcaram a época, VP “detestou” e “amou” o seu homólogo Jorge Jesus e fez divagações entre o “limpinho” e o “sujinho” que acabaram por atingi-lo.
Mas... ganhou. E isso é que conta, também porque internamente nem tudo foram rosas.
O CACTO
Deputado?
“Magrebinos: curvem-se perante a Glória do Grande Dragão!” – escreveu Carlos Abreu Amorim no Twitter. Amorim não é palhaço nem presidente da República. Mas é: Deputado. Vice-presidente da bancada parlamentar do PSD. Talvez esta esfoliação mental sirva para se perceber a razão do estado do país. Com “pê” (muito) pequeno.
