Taguspark
Diz-se que a contratação de Mario Balotelli para o Milão deu votos a Sílvio Berlusconi, presidente do clube italiano e que esta semana foi o segundo mais votado nas caóticas eleições do seu país.
Estudos de mercados de ontem quantificam: a contratação do antigo jogador do Manchester City rendeu 200 a 400 mil votos a “Il cavaliere”. Em 2001, Berlusconi foi acusado de eleitoralismo com outra contratação milionária: a de Rui Costa.
Rui Costa foi um dos antigos jogadores ouvidos nos últimos dias no Tribunal de Oeiras, durante o julgamento do caso Taguspark, em que três antigos administradores da empresa com esse nome (Rui Pedro Soares, Américo Thomati e João Carlos Silva) são acusados de corrupção passiva para ato ilícito: um contrato feito com Luís Figo que, segundo a acusação, teve como contrapartida o apoio do jogador ao então primeiro-ministro José Sócrates. Luís Figo não é suspeito.
Rui Costa, Sá Pinto e Vítor Baía tiveram contratos de patrocínio com a Portugal Telecom (de que Rui Pedro Soares era administrador com o pelouro dos patrocínios de futebol, sendo hoje o empresário que controla o Belenenses), tendo os dois primeiros já garantido que esse patrocínio nunca teve como contrapartida qualquer apoio político. Vítor Baía, supõe-se, dirá o mesmo. Figo já foi também ouvido e rechaçou qualquer contrapartida, tendo garantido que apoiou então Sócrates publicamente por convicção pessoal, sem que isso tivesse qualquer relação com o contrato de 750 mil euros por três anos que assinara com a Taguspark.
O julgamento vai a meio. Nenhum jogador é suspeito. O tempo dirá que justiça haverá. Sócrates, já agora, não ganhou, apesar do apoio de Figo. Já Berlusconi ficou em segundo mas foi como se tivesse ganho. Estranhos são os poderes do futebol.
