Opinião

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Tempo de decisões com UEFA a chegar

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1 – Aproximam-se as competições europeias, o mercado de transferências ainda ferve e os clubes começam a munir-se dos últimos trunfos para uma época em que esperam rendimento desportivo e financeiro. Os plantéis começam a definir-se e os treinadores vão ter que tomar decisões. As inscrições nas competições da UEFA podem dar alguns indicadores sobre quais os jogadores que vão ser aposta principal.

No que respeita à contratação de jogadores e composição de um plantel, a qualidade dos atletas deve ser sempre o primeiro critério a ter em atenção. Contudo, as competições europeias levantam algumas restrições na inscrição de atletas e tal facto deve ser levado em consideração para uma época longa em que surgem lesões e castigos. A UEFA impõe a inscrição de 4 jogadores formados no país e outros 4 formados no clube.

Serve de aviso a experiência do FC Porto no ano passado, em que Danilo e Alex Sandro ficaram impedidos de alinharem em Munique por castigo, o que resultou num resultado para esquecer e nas dificuldades em encontrar, entre os jogadores que estavam inscritos, opções válidas para as laterais. Tudo porque, pela inexistência de jogadores formados pelo clube no plantel, os dragões só puderam inscrever 21 atletas em vez dos 25 possíveis na lista A.

Estas limitações implicam mesmo que alguns jogadores estrangeiros tenham de ficar de fora das opções para as competições da UEFA, perdendo visibilidade na principal montra do futebol europeu, o que causa danos à competitividade interna e ao moral dos jogadores que ficam de fora deste certame, já que é um claro aviso de que não serão opções regulares.

Este processo de escolha é um exercício difícil e exige alguma ginástica para poder ser contornado, já que os melhores jogadores nacionais tendem a emigrar e a falta de uma aposta consistente na formação nos últimos anos, leva os clubes a investirem lá fora. O regresso das equipas B poderá ajudar a desenvolver jogadores com perfil para este desafio, mas até lá o dilema permanece.

2 – Apesar das dificuldades que vão encontrar, Benfica e FC Porto acabaram por ter sorteios relativamente favoráveis na Liga dos Campeões, tendo em conta que poderiam encontrar cenários bem mais difíceis pela frente. Atuando ao seu melhor nível, tanto águias como dragões terão grandes possibilidades de passar à fase seguinte. Não deixarão de ser jogos de exigência máxima, que só serão superados com muita concentração e competência.

Para o Benfica, e depois de três anos consecutivos sem passar a fase de grupos, esta é uma excelente oportunidade para o conseguir. O Atlético Madrid é favorito, mas o Benfica terá uma palavra a dizer na discussão. A visita ao “inferno” de Istambul será complicada e todo o cuidado será pouco perante esta desconhecida e estreante equipa do Cazaquistão. Curiosidade também para ver os regressos de Oblak, Tiago, Óliver e Jackson a Portugal.

No grupo do FC Porto, José Mourinho vai regressar mais uma vez à casa em que foi muito feliz e que o deu a conhecer à Europa do futebol. O Chelsea leva favoritismo, mas os dragões já mostraram que, num dia bom, podem bater o pé aos tubarões europeus. As visitas à Ucrânia começam a ser um hábito para os portistas, que agora vão também a Israel. Uma equipa azul e branca com desempenho à imagem do que fez no ano passado na competição, terá grandes chances de seguir até aos oitavos.

PS: Sobre os dois jogos da eliminatória entre o Sporting e o CSKA, fica a pergunta: para que servem afinal os árbitros de baliza?

O Craque – Nova oportunidade para Hassan

Esteve com um pé no Benfica, mas um problema cardíaco acabou por travar a ida para Luz. Agora o recuperado Hassan tem Braga como destino e pode muito bem ser a solução certa para se afirmar como a referência do ataque dos minhotos. Com apenas 22 anos e mais de 30 golos apontados na liga portuguesa, o ponta de lança egípcio é uma boa aposta, pelo bom posicionamento que revela, dentro e fora de área, e a capacidade finalizadora que apresenta. E numa equipa com pendor mais ofensivo, as suas qualidades poderão ser ainda melhor aproveitadas.

A Jogada – O momento do líder Arouca

O Arouca vive um momento único na sua história. Para um clube que há uma década andava pelas competições distritais, o facto de hoje liderar a liga portuguesa, mesmo que apenas na segunda jornada, é um feito que merece o devido realce, ainda mais por ter sido atingido depois de uma vitória sobre o campeão Benfica. O clube procura estabilizar-se no principal escalão e dá mostras de querer continuar a crescer. Lito Vidigal, um treinador competente e ambicioso, pode ajudar a equipa a subir novos degraus.

A Dúvida – Falhas defensivas tramaram o leão

Por mais que a indignação leonina com a arbitragem dos jogos do playoff da Liga dos Campeões seja compreensível, sobretudo com aquele penalti que ficou marcar em Alvalade onde o jogador russo joga com a mão, fica a sensação que o Sporting sai da prova por culpa própria. Em nenhum momento o CSKA foi superior e até surpreendeu pelo pouco futebol que pratica, apostado mais em chutar a bola para a frente e em ter fé nas gazuas Musa e Doumbia. Foram os erros defensivos na segunda parte que tramaram os leões. A quebra de rendimento terá sido física ou anímica? 

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