Tensão na Segunda Circular
1 - A crise desportiva do Sporting começa a equiparar-se à económica. A derrota em Setúbal comprovou-o, embora não passe pela cabeça de ninguém que os leões, com dois jogos em casa com equipas da Liga Vitalis, não estejam na final da Carlsberg Cup. Mas, mais que o desaire perante um Vitória que, efectivamente, pratica bom futebol, o que deixou a família sportinguista em alvoroço é que o conjunto, mais uma vez, entrou sem atitude e rapidamente ficou em desvantagem. Tal aconteceu pela quarta vez consecutiva e, se nas duas primeiras, ainda foi possível dar a volta, está mais do que visto que a equipa não possui o talento necessário para fazer disso um hábito. Aliás, nenhum clube mundial pode (ou deve) viver assim. Dar de avanço jamais será uma boa política.
Dizer que a crise desportiva é responsabilidade de A ou B é redutor e injusto. Se aquando das vitórias é costume dividir-se os louros, creio que é ainda mais lógico distribuir "o mal pelas aldeias" quando os resultados são negativos.
É verdade que Paulo Bento escolhe os onzes, define as tácticas, faz as substituições e dá os treinos. Tem de ser culpado (louve-se já ter assumido a sua responsabilidade). Mas os jogadores são os que, dentro do campo, não se entregam na totalidade, falham passes, esquecem-se das marcações aos opositores, desperdiçam grandes penalidades e outras situações em que o golo devia ser obrigatório. Também são culpados (Tonel disse-o em Setúbal).
E mesmo sem abrirem a boca, os dirigentes são igualmente responsáveis. São eles que escolhem os técnicos e avançam (ou não) para as contratações, já para não falar das vendas (de atletas e património), justificadas com a necessidade de reduzir o passivo que, contudo, mantém-se exorbitante.
Carlos Freitas já bateu com a porta. Assumiu a sua parte de responsabilidade no processo. Mas quem é que espera que o assunto se resolva só assim?
2 - Na Luz, Rui Costa falou, pela primeira vez, como um verdadeiro director desportivo. Deixou José Veiga com as orelhas a arder (era com declarações rudes que o ex-amigo do presidente gostava de contrariar aqueles que considerava inimigos do balneário encarnado, pelo que deve considerar normal que o "despachem" da mesma forma) e "aconselhou" Vieira e seus pares a rever o "dossier" Katsouranis. O grego falhou (e de que maneira...) no episódio de Setúbal, mas faz falta à equipa. E o clube tem, em primeira instância, de ser inteligente para não desvarolizar um activo tão importante. A época ainda está a meio e vender o médio antes do Europeu não será uma medida adequada do ponto de vista da gestão. Penso eu e, pelos vistos, o Rui Costa...
Com Binya destacado para a CAN e com Katsouranis de castigo, ainda me parece mais estranho que na Luz ninguém resolva o problema de Diego Souza num ápice: mandando-o treinar com a equipa quanto antes! Será que quem descobre (e aprova) gente como Stretenovic, Halliche, Diaz, Bergessio e companhia não vê os jogos do "Brasileirão" na televisão?
