Ter opinião é o nosso destino

Adicione como fonte preferencial no Google

Há uns bons 50 anos atrás – já não faço as coisas por menos, tudo foi há demasiado tempo, valha-me Deus... – lembro-me de estar com o meu pai nas Salésias e o árbitro ter "roubado" um penalty ao nosso clube.

Ao mesmo tempo que dirigiam impropérios ao homem do apito, que era cobrador da então denominada Companhia das Águas, e por isso de imediato considerado incapaz de ajuizar com equilíbrio – e a nosso favor, claro – alguns assistentes voltaram-se para trás e gritaram para o pequeno camarote da imprensa: "Ó Farinha, vê lá agora se pões no jornal o que este gatuno cá veio fazer!"

Alfredo Farinha continuou, imperturbável, a tirar notas. Pareceu-me, então, o que só anos mais tarde vim a descobrir que de facto era: um gigante. Meio século depois, mantém-se a "teimosia" dos jornalistas em opinar e continuam as massas a reger-se mais pelas paixões do que pela razão.

O problema é que a leitura dos jornais desportivos faz parte dos hábitos dos adeptos do futebol, que procuram, mais do que os resultados – que normalmente já conhecem –, saber o que lá escrevem os comentadores, que são livres de se expressar, mas que devem respeitar sempre as regras mais básicas da urbanidade e do bom senso. Se assim for, é fácil: temos de ter a paciência de nos aturarmos uns aos outros...

Mourinho

Tanto faz que esteja no banco como em serviço telecomandado: ganha sempre. Depois do Barça, foi a vez do orgulhoso Bayern, líder da riquíssima Bundesliga e um dos maiores clubes europeus, a encaixar 6-golos-6 e a dizer adeus à Champions, dobrado pelo incrível pragmatismo do onze de José Mourinho. É verdade que, uma vez mais, os minutos finais foram o ponto frágil do Chelsea, que podia bem ter evitado a derrota em Munique, mas a verdade é que a defesa inglesa cedeu quando o trabalho estava feito e é já em festa que vai ouvir das boas – que o rigor de Mourinho não permite "facilidades" destas. E pronto, as meias-finais de Ranieri do ano passado estão igualadas, o Mundo é de Mourinho.

Petit

O final do jogo de Vila do Conde foi penoso para Petit que, de

"cabeça quente" ou de "cabeça perdida", vá lá saber-se, mandou os jornalistas "investigar" o que teria levado os jogadores do Rio Ave a esforçarem-se tanto para vencer o Benfica. Essas declarações infelizes, proferidas minutos depois de uma derrota frustrante, devem compreender-se e enterrar-se, tanto mais que o jogador teve a dignidade de apresentar desculpas, evitando assim que no final de cada partida todos se interroguem: por que Petit se esforçou tanto? É que, em matéria de esforço e de espírito de sacrifício o benfiquista é quase imbatível. Mas não nos iludamos: quem mais sabe do que se passa no futebol são os jogadores. Pudessem eles falar, pudessem eles falar...

Costinha

Lá que Pinto da Costa não tenha condições para "partir as pernas" a uma das suas pérolas, compreende-se. Costinha falhou um bom contrato no final da época passada e já não está em idade de esperar mais tempo para garantir o futuro da sua família: ou sai este ano ou torna-se peça do Museu do Dragão, onde, aliás, figurará sempre. Mas é uma pena continuar a ver delapidar o plantel de José Mourinho, o que tem dado bom dinheiro aos cofres do FC Porto e tido, também, consequências dramáticas – o valor da SAD portista baixou quase 4 milhões de euros em menos de um mês. Sou um admirador de Costinha: que seja feliz no Dínamo. O FC Porto sem ele é que não será o mesmo – será pior.

Manuel Machado

O presidente Vítor Magalhães está a confirmar no Vitória de Guimarães o excelente trabalho realizado no Moreirense – e não sei se a perigosa posição em que se encontra a equipa de Moreira de Cónegos na SuperLiga não terá a ver com algum sentimento de orfandade por que esteja a passar. Mas ainda não há muito tempo que a situação no Vitória estava pouco menos que explosiva. A turma vimaranense tardava em encontrar-se, o treinador Manuel Machado irritava-se com a contestação e esta parecia ir desembocar no afastamento do técnico. O fantasma de Pimenta Machado crescia... Mas Vítor Magalhães resistiu. Sabia o que fazia, sabia que tinha apostado na pessoa certa e que esta só precisava de tempo. Foi sábio e hoje o corpo respira pelo facto de a cabeça ter funcionado. Manuel Machado pôde impor as suas ideias e hoje o Vitória está já a escassos 4 pontos do FC Porto e é um dos obstáculos que ainda se colocam ao Sporting em Alvalade. Ou seja, está no caminho de um lugar europeu e pronto a ter uma palavra na luta dos galos pelo poleiro. Só tenho pena que o Vitória não esteja ainda mais perto do 1.º lugar. Seria um final de SuperLiga inesquecível...

Luís Castro

Se João Carlos Pereira se revelou na Académica, foi preciso lá chegar Nelo Vingada para provocar a reviravolta que promete salvar a Briosa. Já no Penafiel as coisas correram ao contrário: ao consagrado Manuel Fernandes sucedeu um quase desconhecido Luís Castro, que veio confirmar o "dedo clínico" de António Oliveira, ou seja, afastou o Penafiel dos lugares de aflição. E já está, inclusive, à frente da União de Leiria, de Vítor Pontes, um dos nove treinadores que não foram baldeados esta época e ao qual uma simples vitória basta para se livrar de apuros. Cá por mim, "torço" sempre pelo êxito dos treinadores jovens e que hão-de ajudar à grande vassourada que um dia mudará para melhor a face do futebol em Portugal.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade